quarta-feira, 19 de abril de 2017

JOVEM USOU TÁTICA DA IMPRENSA INVESTIGATIVA E CONSEGUIU UM AVANÇO DE CIDADANIA NA ÍNDIA: MAS HOJE ESTÁ SENDO AMEAÇADA

Estudante denunciou fábrica e conseguiu salvar 111 crianças do trabalho infantil (e no Brasil ainda há cerca de 4 milhões de menores de idade sofrendo este tipo de problema)



Esta situação poderia ter acontecido no Brasil, onde ainda há em alguns pontos do interior do país, ocorrências clandestinas de trabalho infantil e escravo, como em carvoeiras junto a desmatamentos na Amazônia ou no Cerrado e em colheitas de cacau: a estudante Jharna Joshi, de 22 anos, estava visitando parentes na região de Morbi, na Índia e ali suspeitou de um grande fluxo de ônibus que passavam pela vila carregados de crianças. Nenhum dos veículos se parecia com um ônibus escolar e Jharna, que sempre teve muito interesse em causas humanitárias e de cidadania, decidiu então por sua própria conta investigar o que estava acontecendo. Foi quando descobriu que todas estas crianças estavam sendo levadas para trabalhar ilegalmente e em condições precárias em uma fábrica de utensílios de cerâmica.


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Jharna Joshi fez como repórteres fazem em matérias investigativas


Para conseguir maiores informações sobre o que claramente se apresentava como um grave caso de trabalho infantil tipo escravo, as crianças ali sob condições inumanas, ela decidiu se inscrever para trabalhar nessa mesma fábrica. Ao adentrar o local, ela percebeu que grande parte dos trabalhadores era menor de idade, estavam trabalhando por períodos extremamente longos, na maioria das vezes sem direito à comida ou água, embora remunerados, aliás mal remunerados. "Não havia nem mesmo nenhum intervalo para descanso durante os longos turnos de trabalho das crianças", contou depois Jharna ao ser entrevistada por jornais, rádios e TVs da Índia e por um dos principais sites de notícias de Bombaim. Ela confirmou que se inspirou na sua ação "no que fazem os jornalistas quando descobrem coisas erradas e no que fazia Gandhi na história do nosso povo".



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A ação de Jharna em defesa das crianças foi elogiada pela mídia...



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...mas ela também sofreu agressões e ameaças em Morbi



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...Jharna foi atacada na rua por pessoas favoráveis ao trabalho infantil

Depois de duas semanas coletando informações e provas, Jharna Joshi denunciou a fábrica de material para construção ao departamento de bem estar infantil da Índia, aí foram então resgatadas no local e em flagrante 111 crianças que trabalhavam em condições análogas à escravidão em Morbi. A maioria das crianças era formada por garotas. O feito de Jharna é um marco para a questão na Ásia e afinal no mundo, mas nem todos ficaram orgulhosos de sua denuncia: a jovem já foi atacada na rua, ficou ameaçada por ter se oposto ao trabalho infantil, teve que se afastar para outra região indiana. Ela, no entanto, não se arrepende e garante ter sido informada por ativistas de cidadania de novos locais onde ocorrem fatos semelhantes: "Não vou deixar de denunciar e vou continuar firme nessa luta, não é assim, com trabalho degradante que se pode ajudar uma criança duma família carente", explicou Jharna Joshi, também à BBC Em um mundo com mais de 200 milhões de crianças trabalhando ilegalmente em condições terríveis, o esforço de uma jovem indiana pode fazer tanta diferença para que mais gestos como o dela se multipliquem nos países e nas cidades onde proliferam o trabalho infantil.


Brasil sob investigação da ONU devido a trabalho infantil


Nosso país está prestes a comemorar 130 anos da abolição da escravatura, especialistas ouvidos pela BBC no entanto afirmam que no cenário atual do combate ao trabalho escravo no país, a situação que desponta como a mais preocupante é a dos estrangeiros que chegam ao Brasil em busca de um eldorado de oportunidades. A crescente demanda por mão de obra no país, resultante de variados fatores, tem exposto imigrantes de várias nacionalidades a condições de trabalho análogas às da escravidão, servidão por dívida, jornadas exaustivas, trabalho forçado e condições de trabalho degradantes. Segundo Renato Bignami, coordenador do programa de Erradicação do Trabalho Escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em São Paulo, o número de estrangeiros resgatados no Estado vem só aumentando. Só para exemplificar, Bignami  estimou que 300 mil bolivianos, 70 mil paraguaios e 45 mil peruanos estejam vivendo e isso apenas na região metropolitana de São Paulo, a maioria sujeita a condições de trabalho análogas à de escravo. No interior do país e na Amazônia há vários pontos negros de trabalho escravo, também infantil, em especial, junto a carvoeiras e em plantações agrícolas. A Abrinc tem feito campanhas e a mídia algumas matérias mas ainda não há um levantamento preciso da quantidade de crianças ou menores de idade sendo explorados no mercado clandestino de trabalho, este fato ainda segue em investigação pelo MTE. A clandestinidade e a "defesa" do trabalho das crianças por conta da crise da economia dificultam as operações, porém, elas precisam ser intensificadas e já chamam a atenção de entidades ligadas aos direitos fundamentais do ser humano. Na indústrias de calçados, na região de Franca (SP), campanhas intensas de cidadania conseguiram superar este problema que era crônico neste setor, mas esta situação ilegal e desumana ainda ocorre em lugares mais remotos: "A forma de ajudar as famílias em dificuldade econômica não passa pelo trabalho das crianças e sim por preparar jovens e adultos para o mercado, ampliando a prática da educação para a garotada e uma nova cultura da vida para os adultos", comenta por aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor de conteúdo, o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, que é ligado ao movimento da Não Violência e fez questão de destacar a ação de Jharna Joshi, na Índia, a terra de Mahatma Gandhi, um dos maiores líderes desta cultura da vida e da paz.


 Na Páscoa nosso blog denunciou meninos catadores de cacau


Carvoarias clandestinas continuam no Cerrado e na Amazônia

 

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Milhares de crianças em todo planeta nessa situação denunciada por Jharna

Fontes:  Hypeness - BBC
              www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Mais tarde, faremos nova edição aqui nessa seção de comentários, com mais informações, tanto sobre a ação de Jharna Joshi como da situação de casos de trabalho infantil e escravo também no Brasil.

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  2. Aguarde e confira qui novas informações. Você pode colocar nesta seção a sua mensagem ou então enviar por e-mail para a redação do nosso blopg de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com.br

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  3. Outra opção é contatar o nosso editor de conteúdo deste blog, que é também um ativista do movimento da Não Violência: padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Sei de empresas transnacionais, ligadas à moda, que no Nordeste efetuam esse tipo de exploração, vi uma reportagem nesse sentido, enfim, não é só numa cidade remota da Índia nem apenas na indústria de cerâmica": comentário de Agenor Matos, de Belo Horizonte (MG), que nos envia um material do jornal Estado de Minas. Agradecemos pelo envio e vamos divulgar. Abraços e paz na luta aí.

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  5. Segundo a Agência Brasil, "a região nordeste lidera o número de crianças afastadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o FNPeti pobreza e a baixa escolaridade das famílias são as principais causas".


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  6. "Segundo a OIT, há no mundo 115 milhões de crianças nesse tipo de atividade. Há dez anos as Nações Unidas celebram, no dia 12 de junho, o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil para elertar população e governantes. No Brasil, nos primeiros meses do ano, operações comandadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 2.275 crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. Essas pessoas são parte das 4 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no Brasil", informação do site Carta Capital.

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  7. "O Nordeste lidera as autuações do MTE em todos estes anos, com 48% dos afastamentos, seguida pela região Centroeste (24%), Norte (13), Sudeste (8%) e Sul (7%). O percentual do ranking das regiões brasileiras está relacionado com a atividade econômica e também com os níveis de renda e de escolaridade": comentário do chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE, Luiz Henrique Lopes,

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  8. "A pobreza e a baixa escolaridade das famílias estão entre as principais causas do trabalho infantil no país. O principal motivo para que as crianças permaneçam trabalhando é o fato de as famílias não considerarem a escola uma alternativa viável. Principalmente na área rural, há uma grande precariedade educacional, acrescida da precariedade no transporte para que essas crianças cheguem à escola”: comentário da Secretária Executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do trabalho de crianças, Isa Oliveira.

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  9. De acordo com levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todo o planeta, 59% do trabalho infantil encontra-se na zona rural.

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