sábado, 15 de abril de 2017

PAZ NA PÁSCOA: LEONARDO BOFF ESCREVE SOBRE O SENTIDO DESTA DATA QUE CLARO VAI MUITO ALÉM DA SIMPLES IMPORTÂNCIA NO MERCADO DE CONSUMO


Páscoa: a revolução na evolução é a mensagem do ex-padre, hoje filósofo, escritor e professor da UFRJ sendo doutorado em Teologia pela Universidade de Munique na Alemanha e no Brasil ele se tornou um líder de causas humanitárias e ecológicas



Fique atento que o consumo de chocolates de cacau pode ser exploração infantil


"Nos anos 80, quando Leonardo Boff estava enclausurado no Convento dos Franciscanos em Petrópolis (Rio de Janeiro), cumprindo ordem de silêncio ou censura a mando do Vaticano, devido ao impacto polêmico da Teologia da Libertação do que ele era um líder na Igreja Católica, foi lá que tive um contato pessoal com ele", nos conta o ecologista e editor de conteúdo do blog Folha Verde News, Antônio de Pádua Silva Padinha: "Agora, nestes dias, me lembrei dele, porque o ouvi falando a várias pessoas que a Páscoa tem um sentido de alegria e de esperança". Nesse sentido, o nosso blog ligado ao movimento ecológico, científico, cultural e de cidadania pesquisou e faz aqui a postagem dum texto neste tema, escrito por Leonardo Boff, como forma de extravasar a cultura de consumo e de violência de hoje em dia com uma mensagem que em resumo tem a ver com a filosofia do amor à vida. 


Leonardo Boff  é respeitado intelectual cristão da não violência


A superação da morte ou a utopia de uma vida sem fim está aqui nesta mensagem



Ele escreve que a ressurreição é a mensagem mais importante de Jesus


"Para os cristãos a cruz e a morte da sexta-feira santa não detém a última palavra. A palavra derradeira sobre o destino humano é ressurreição. Por isso, a festa central do Cristianianismo não é o Natal que celebra o nascimento do Libertador das gentes nem a Sexta Feira Santa que comemora o martírio do Messias. Se ele, após a crucificação, não tivesse ressuscitado, estaria seguramente no panteão dos heróis da humanidade, mas não teria uma comunidade que lhe guardaria a memória sagrada. Mas ele ressuscitou. Em razão disso, o Cristianismo não celebra uma saudade do passado, mas festeja uma presença de Jesus no presente. Então fica claro, contrariando os existencialistas modernos que afirmam sermos seres para a morte: não vivemos para morrer; morremos sim mas  para ressuscitar. O que o Cristianismo tem a oferecer à humanidade se unificando como espécie é fundamentalmente isso: a promessa de ressurreição para toda a carne, para cada pessoa e para a inteira criação. Quem não quer viver sempre e plenamente? Mas importa compreender bem o que se entende por ressurreição se quisermos captar sua relevância universal. Antes de mais nada, cabe lamentar que ela foi cedo abandonada como eixo estruturador da fé cristã. Em seu lugar entrou o tema platônico da imortalidade da alma. A ressurreição foi relegada para o fim do mundo e não para acontecer já na morte como era a convicção da igreja dos primórdios. Como ninguém sabe quando este fim do mundo vem, a ressurreição não representa um elemento, portador de esperança de vida. Por isso que muitos cristãos, ainda hoje, vivem tristes como se fossem a seu próprio enterro. Ademais, a ressurreição não é sinônimo de reanimação de um cadáver como o de Lázaro. Lázaro voltou à vida que tinha antes. Ora, esta vida é mortal, pois vamos morrendo em prestações, devagar, até acabar de morrer. A reanimação do cadáver não nos liberta da morte. Lázaro morreu de novo e foi sepultado. E lá ficou definitivamente. Ressurreição significa bem outra coisa. É a entronização de alguém numa ordem de vida que não tem mais nenhuma entropia e nenhuma necessidade de morrer. É uma vida tão inteira que não deixa nenhuma brecha pela qual a morte pode entrar. Portanto, é a realização da utopia de uma vida sem fim e absolutamente realizada. Tal evento bem aventurado só é possível à condição de o processo evolucionário ter chegado, por antecipação, à sua culminância, quando todas as potencialidades do ser humano se tiverem absolutamente realizado. Representa, pois, uma revolução na evolução. Daí implode e explode o ser novo que vinha embrionariamente se formando ao longo dos bilhões e bilhões de anos, até fechar o seu ciclo de realizações. São Paulo fala que com a ressurreição irrompeu o “novíssimo Adão”.


A dimensão cósmica da vida 

 
"Quando se fala assim de ressurreição, se acredita que tal singularidade ocorreu em Jesus. A grama não cresceu sobre sua sepultura. Ela ficou aberta para proclamar o fato mais decisivo do universo: a superação da morte; mais ainda, a possibilidade real de transformação da utopia em topia dentro do horizonte cósmico e histórico: o triunfo do princípio de vida. Que faz, concretamente, a ressurreição? Realizar plenamente nossa essência que consiste em sermos um nó de relação e de comunicação, voltada para todos os lados. A ressurreição suprime os limites de realização do espaço tempo desse nosso nó, potenciando o ser humano ao infinito, já que, por natureza, somos um projeto infinito. O corpo ressuscitado vira pura comunicação e ganha uma dimensão igual a do cosmos. Por isso o corpo ressuscitado enche todo o universo e ocupa todos os espaços. Um dito do evangelho apócrifo de São Tomé, descoberto em 1945 no norte do Egito, deixa o Ressuscitado falar assim:”Tudo saiu de mim e tudo volta a mim. Rache a lenha e eu estou dentro dela. Levante a pedra e estou debaixo dela. Eis que estarei convosco todos os dias até o final dos tempos”. Quer dizer, pela ressurreição, Jesus ganhou uma dimensão cósmica. Ele se encontra em todas as coisas até naquelas mais comezinhas como cortar lenha e levantar pedras. Pelo espírito estamos na lua, no sol, nas galáxias mais distantes, estamos em Deus. Mas nosso corpo não consegue acompanhar nosso espírito. Fica enraizado no espaço e no tempo, agrilhoado ao sistema da matéria. Voando à velocidade da luz precisamos de 8 segundos para chegar até o sol e três anos luz, à estrela mais próxima, a Alfa do Centauro. O corpo ressuscitado supera a velocidade da luz. Ele está imediatamente lá onde está o seu desejo. O corpo supera seus limites e assume as características do espírito e o espírito aquelas do corpo. Não deixamos o mundo. Mas penetramos mais profundamente no coração do mundo até aquele ponto onde tudo é um e para onde tudo converge, constituindo o Todo. A humanidade que está em Jesus, está também em cada um de nós. Se nele se verificou tal evento de bem aventurança é sinal de que vai acontecer também em nós. Ele é apenas o primeiro entre muitos irmãos e irmãs, como atesta São Paulo. Todos nós o seguiremos e, do nosso jeito singular, ressuscitaremos também como ele na morte. Então como diz o grande bispo, profeta e poeta, Dom Pedro Casaldáliga, a alternativa cristã é ou a vida ou a ressurreição".

 
Para Boff a Páscoa sinaliza a dimensão cósmica da vida...

 ...ou seja, é muito mais do que a festa de consumo dos ovos de chocolate


Fontes: www.leonardoboff.wordpress.com
             www.folhaverdenews.com 

11 comentários:

  1. Abrimos assim aqui em nosso blog um debate sobre a data que estamos vivenciando nets final de semana: logo mais, mais informações e comentários sobre esta pauta que levanta o texto fora do comum de Leonardo Boff, que hoje é um dos mais respeitados intelectuais do Brasil em todo o planeta.


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  2. Atualmente, Leonardo Boff, que foi um líder da Teologia da Libertação, que estava na contramão de muitos interesses não exatamente religiosos do Catolicismo, hoje é um colaborador da ONU, além de doutorado em Teologia na Alemanha, é Honoris Causa em pelo menos três países, no Equador, na Universidade de Turin (Itália) e na Universidade de Lund (Suécia). Em nosso país, atiua como professor de Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro.


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  3. Leonardo Boff escreveu vários livros, inclusive sobre ecologia. Um dos seus livros, escrito junto com Matk Hathaway nos Estados Unidos, "The Tao of Liberation, Exploring the Ecogoy of Trnasformatioin" foi premiado pelo instituto internacional Nautilus pela sua criatividade.


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  4. Você pode colocar aqui o seu comentário, se preferir pode mandar um e-mail para a redação deste blog navepad@netsite.com.br e/ou fazer um contato com o nosso editor de conteúdo, colocando a sua opinião ou nos enviando material: padinhafranca603@gmail.com


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  5. "Vejo este texto como uma contribuição bem clara à cultura da vida, que contradiz a realidade hoje da sociedade de consumo": comentário de Luíza Gonçalves dos Santos, de São Paulo (SP), produtora cultural alternativa, professora de Yoga.


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  6. "A origem da celebração da Páscoa está na história judaica relatada na Bí­blia, no livro chamado “Êxodo”, que significa “saí­da” e é exatamente a saí­da dos judeus do Egito que esse livro relata. Quando Ramsés II, rei do Egito, subiu ao trono, apavorou-se com o crescimento do povo de Israel, achando que esse crescimento colocava em risco o seu poder. Essa preocupação, deu iní­cio a uma série de ordens e obras levaram os judeus a um perí­odo de grande sofrimento. Conta a Bí­blia que Deus, vendo o que se passava com seu povo, escolheu Moisés para tirá-los dessa situação, dando a ele os poderes necessários para o cumprimento da missão. Na semana em que o povo de Israel iniciou sua jornada para sair do Egito, Deus ordenou que comessem só pão sem fermento e no último dia, quando finalmente estariam fora do Egito seria comemorada a primeira Páscoa, sendo esse procedimento celebrado de geração em geração.
    Essa celebração recebeu o nome de Pessach, que em hebraico significa passagem, nesse caso da escravidão à liberdade. Daí­ surgiu a palavra Páscoa. Jesus deu novo significado à Páscoa. Ele trouxe a boa nova, esperança de uma vida melhor, trouxe a receita para que o povo se libertasse dos sofrimentos e das maldades praticadas naquela época. Naquela época e de outra forma, hoje também": comentários a nós enviado pór Juan lucas Peres, ecologista e engenheiro florestal, de Curitiba, Paraná.

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  7. "Tem razão Leonardo Boff neste belo texto e também vocês de alertar sobre o sentido esotérico desta data, o seu significado maior não é longe disso o comercialismo, nem a 'cultura pagã' de adoração às colheitas que é passada pelo simbolismo da fertilidade do coelho ou das aves, o significado cósmico creio que expressa melhor": comentário de Marina Borges de Almeida de Catanduva (SP), que é gaúcha mas veio ao interior paulista para ali representar empresa de alimentos.


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  8. Ricardo Morais, de Ubatuba (SP), professor de Educação Física, no enviou um texto que foi postado hoje no site de jornalismo Terra: " Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. Nesta época do ano, nossas espiritualidade, intuição e crença em Deus são pura emoção e fé. Jesus foi crucificado e ressuscitou para mostrar renovação em nossas vidas. É um momento simbólico de morte e renascimento sempre acompanhada de algum tipo de dor física, emocional ou mental. E após a ressurreição e renovação, mesmo com sofrimento, tudo será novo e trará alegria".

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  9. A gente recebeu aqui textos enviados por Durval Silva Pontes, que ele extraiu do site Rebrink, que faz alertas sobre o consumo infantil. "Páscoa: muito açúcar e pouco sentido? Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim... A música fez parte da infância de muitos e ainda hoje integra o repertório infantil nas escolas. Mas além de cantar músicas, colorir coelhinhos e pintar o rosto das crianças, os educadores sabem que precisam ir além, trabalhando os valores e buscando uma reflexão profunda sobre o consumismo em comemorações, seja na Páscoa, no Natal, no Dia das Crianças… Vale lembrar que a Páscoa é uma comemoração religiosa e é importante pensar como as famílias, que podem seguir várias crenças, encaram o papel desta data": comentário de Durval Silva Pontes, site Rebrink.

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  10. "Em toda casa, as famílias que celebram a Páscoa devem também ter uma visão crítica da forma como o mercado apresenta a data. É, sem dúvida, necessário um esforço conjunto diante do bombardeio da mídia que passa por cima do real significado da data e incentiva intensamente a compra de ovos de chocolate. No caso dos ovos com apelo infantil é importante lembrar que a prática é abusiva e ilegal, há erros nesse excesso de comercialismo": comentário também de Durval Silva Pontes, advogado de Niterói (RJ), que nos enviou matérias do site Rebrink.



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  11. "Quando um produto chega até nossas mãos, costumamos saber a marca, o peso, os ingredientes, o valor calórico, o preço, a loja onde foi comprado. Pode parecer que sabemos muito mas, na verdade, pouco sabemos sobre o seu processo de produção. É preciso que o consumidor tenha uma noção mais ampliada dos impactos pessoais, sociais e ambientais de suas escolhas de consumo. Sabemos, por exemplo, quantos litros de água são necessários para produzir um quilo de chocolate, ou seja, a sua pegada hídrica? Segundo a Water FootPrint Network, são gastos 17.196 litros de água, considerando toda a cadeia de produção. Em se tratando de ovos de Páscoa, que têm um processo diferenciado, a quantidade de água é ainda maior. Temos noção do volume de gases de efeito estufa emitidos em toda a produção e no transporte dos ovos? E o tempo que os resíduos como plástico decorado, papel alumínio, adesivo, fita e pequenos brinquedos irão continuar existindo no ambiente após serem descartados? Quais substâncias tóxicas ou nocivas à saúde humana e ao meio ambiente estão em sua composição? Como é o trabalho nas fábricas e nas lojas que vendem o produto? E o tipo de trabalho empregado nas lavouras de cacau que existem no mundo? Conhece as marcas que usam trabalho escravo de crianças? E a situação dos solos e as mudanças do clima que ameaçam a produção do fruto que dá origem ao chocolate?": trechos da matéria no site de advertência sobre consumo infantil Rebrink.

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