quarta-feira, 31 de maio de 2017

A PRIMEIRA VILA SUSTENTÁVEL DO MUNDO JÁ ESTÁ SENDO CONSTRUÍDA NA HOLANDA PERTO DE AMSTERDÃ E AO CUSTO DUMA COAB

A empresa ReGen Villages prepara uma cidade capaz de produzir energia limpa e de se abastecer com autonomia para assim as pessoas conseguirem ter uma vida mais ecológica e mais saudável (uma favela futurista, no melhor sentido de favela...) e uma questão: maior número de pequenas vilas ecológicas pode ser mais econômico do que grandes conjuntos habitacionais sem qualidade? 


Esta vila totalmente autossustentável já começou a ser construída na cidade holandesa de Almere, a 25 minutos de Amsterdã e a reportagem sobre este novo tipo de agrupamento humano ou condomínio ecológico foi projetado pelo estúdio de arquitetura dinamarquês Effekt, o programa-piloto da ReGen Villages prevê uma primeira entrega de 25 casas ainda em 2017.  São construções que aliam casas tradicionais da Holanda com projeção futurista, dominadas por vidraças que revelam muitos vegetais cultivados dentro e fora da construção, os terrenos constituem quase que uma metáfora da  desejada harmonia com o meio ambiente. A proposta é viver numa comunidade junto à natureza, uma espécie de índios urbanos em tabas ou ocas duma aldeia contemporânea. O projeto levou em conta que, em 2050, a população mundial deverá ultrapassar os 10 bilhões de habitantes. Regen tem o sentido de regeneração, tanto a maquete do projeto quanto a sua versão animada, em vídeo, mostram a imagem em miniatura de uma cidade reluzente do futuro. A partir de 250.000 euros (cerca de um milhão de reais) é o custo da vila com cerca de 100 casas, cada casa com uma capacidade média de três ou quatro moradores, o planejamento é dum vilarejo para 300 ou 400 habitantes. Como arquitetura, as moradias parecem transparentes, tamanha a profusão de vidros. Dentro delas, a cultura vertical das estufas convive com pequenas hortas e pomares, unidades de aquicultura e painéis solares.


Imagem da ReGen Villages gerada por computador.
Confira o vídeo aqui no blog ou amplie esta foto para visualizar melhor a Vila Sustentável

Interrompemos a reportagem sobre a Vila Sustentável para noticiar a comunidade  alternativa que está se organizando aqui no Brasil (bem menos futurista é verdade)




Na região de Botucatu já há uma aldeia comunitária no conceito new hippy de viver

Nestes dias, a gente recebeu de amigos mensagem com matéria sobre Aldeias Comunitárias tipo as que existem na Europa, Estados Unidos, Canadá ou na Austrália, sendo desenvolvidas no Brasil. São espécies de microcidades, sem tanta preocupação com o estilo ecológico de viver ou com o uso da água da chuva ou de energias limpas, como a Vila Sustentável que já está em construção em Almere, na Holanda. Estas aldeias que começam a se difundir em São Paulo, capital e interior (Atibaia, Botucatu), Brasília e Poços de Caldas (MG) segundo notícia da Folha de São Paulo, têm mais o conteúdo de vida comunitária mesmo, de se evitar a solidão, de unir pessoas identificadas com ideais similares, especialmente, idosos, em busca de conforto, segurança e paz.  Em meio à violência da atualidade e do tumulto que é viver até em pequenas ou médias cidades, já é um avanço. Mas a Vila Sustentável dos arquitetos e poeta dinamarqueses, em, construção nas proximidades de Amsterdã, tem uma ligação mais direta com os sonhos de amor e paz ou duma vida integrada à natureza, ao mesmo tempo a utopia hippy e ecológica, viabilizada com uma estrutura de desenvolvimento sustentável. E já que é para tornar o sonho realidade, esta proposta parece mais avançada, da mesma forma como os hippies europeus mais originais avançaram este movimento mais do que os tupiniquins. Mas a gente aqui do blog Folha Verde News fez questão de conectar as duas experiências, ambas, alternativas para fugir da mesmice urbana em qualquer lugar do mundo nas atuais sociedade de consumo. E quem sabe uma síntese entre Botucatu e Amasterdã seja o vilarejo ideal para 2050... 
 
 A Vila Sustentável além do mais busca um modo mais ecológico de viver

Há torres de armazenamento de água (da chuva também e de nascentes), granjas de animais, áreas de recreação e um estacionamento para veículos elétricos, claro. Se pensou algo como um centro comunitário com espaço para reuniões, eventos sociais, culturais, festas. Segundo os cálculos do Effekt, “uma família de três pessoas necessitaria de uma área total de 639 metros quadrados viver com independência e autonomia no vilarejo. Uma casa do tipo médio tem 120 metros quadrados, e eles se acrescenta uma estufa (40 m2); a aquicultura respectiva (300 m2); uma horta e pomar de estação (100 m2); a parcela proporcional da granja (25 m2); dos painéis solares (34 m2) e da água armazenada (20 m2)”. Não se trata, de modo algum, de um retorno ingênuo à vida na natureza. Ao contrário: aproveitando a tecnologia atual e incorporando os confortos da vida contemporânea, a comunidade que está sendo construída pretende ser antes de tudo autossuficiente. Assim foi ela idealizada com critérios de economia e de ecologia por James Ehrlich, fundador da ReGen Villages, pesquisador da universidade norte-americana de Stanford e especialista na aplicação de tecnologia e da biodiversidade na produção de alimentos. Segundo os dados que ele nos passa, cerca de 40% da superfície do planeta são usados para a produção de nutrientes. Essa atividade contribui para a liberação de CO2 (parcialmente responsável pelos gases de efeito-estufa), para o desmatamento e para o consumo indiscriminado de água potável. Ao mesmo tempo, jogamos fora 30% da comida. E isso, enquanto uma em cada sete pessoas passa fome no mundo. Tem assim também um conteúdo humanitário. Confira na seção de comentários do nosso blog mais detalhes de como está sendo planejada esta 1ª Vila Sustentável do planeta, que agrega também a cultura orgânica e a prática da reciclagem de resíduos, para se evitar o caos urbano que rola em quaisquer cidades hoje em dia, entre outros problemas da época e da atual sociedade de consumo. Enfim, uma forma de habitar new hippy, praticando também conceitos de sustentabilidade, amor à natureza e à vida com mais qualidade e com paz. O inventor deste tipo de comunidade, James Erlich, teve que sair da Dinamarca para a Holanda para receber apoio ao seu projeto e ele diz que ao criar a Vila Sustentável está pensando na África, na Ásia, na América do Sul e até no Brasil, para onde pretende se mudar um dia para construir por aqui assim que der o vilarejo do futuro. Com um dado que apaixona o custo da vila na Holanda é menor do que pagam moradores duma Coab por aqui, onde a cultura (digamos assim) é outra.  De repente, o Brasil deveria estudar projetos de pequenas vilas ecológicas em grande quantidade e isso talvez venha a ser até mesmo mais econômico se houver incentivos sociais e sendo construídas em mutirão.


Cada casa terá suas próprias estufas.
Cada uma das 100 casas tem as suas próprias estufas tipo quintal

Fontes: www.brasil.elpais.com
             www.folhaverdenews.com

11 comentários:

  1. "Embora esperemos acomodar as primeiras famílias, inclusive a minha, no primeiro semestre de 2017, a produção de alimento e o tratamento dos resíduos levará um pouco mais de tempo. A ideia original era construir na Dinamarca, mas o Governo fazia uma ideia um tanto quanto menos ecológica do projeto. Fomos então convidados pela prefeitura de Almere, e pudemos ver que a Holanda é um lugar bastante apropriado para a estreia mundial de ReGen Villages. Vamos fundar aqui a nossa empresa, como parte da União Europeia": comentário de James Ehrlich, o criador deste vilarejo alternativo.

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  2. "As madeiras empregadas são procedentes de florestas sustentáveis da Escandinávia. Os demais materiais serão tratados com a tecnologia mais avançada que existe, de forma a aproveitar ao máximo a energia durante o dia e ao longo das estações do ano. O sistema fechado de abastecimento proposto permitirá que os dejetos orgânicos dos moradores se transformem em biogás e em alimento para os animais. Os excrementos do gado, por sua vez, serão utilizados como esterco para fertilizar as plantações. Qualquer resíduo suscetível de se transformar em adubo alimentará depois as moscas-soldado, alimento adequado para os peixes dos viveiros. As fezes destes últimos também serão usadas: elas servem para fertilizar o sistema de aquicultura destinado a produzir frutas e verduras. A água da chuva, por fim, será canalizada para ser usada na irrigação": trecho da matéria especial da seção Notícias de Ecologia fo site El Pais, Espanha.

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  3. "O projeto pode ser sintetizado em cinco pilares: “casas com energia positiva; alimentos próximos e com cultivo sustentável; produção e armazenamento de eletricidade; reciclagem de água e resíduos; e autogestão por parte dos grupos locais, da comunidade. Se for bem-sucedida, a prática da agricultura permanente (permacultura), com a cultura em ambiente aéreo sem utilização do solo, pulverizando as raízes com uma solução aquosa (aeroponia) e com o uso de sementes orgânicas de alto rendimento, será em seguida experimentada na Suécia, Noruega, Dinamarca e Alemanha, posteriormente, no Brasil, onde as COABs custam o olho da cara e são, ao contrário da Vila Sustentável, passadistas.

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  4. "Durante a apresentação do projeto, James Ehrlich destacou que espera, com isso “redefinir o conceito de zona residencial com este ciclo de cultura orgânica e reciclagem de resíduos; não é possível continuar a crescer e a urbanizar como temos feito até agora em todo o país”. Por isso, ele já pensa em se expandir para regiões com superpopulação e de clima difícil. A Índia e a África subsaariana encabeçam a sua lista. E o Brasil e a América Latina, no mapa deste avanço": comentário final da reportagem El Pais.

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  5. Você pode colocar aqui sua informação ou mensagem ou então enviar um e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou se você quiser, pode contatar nosso editor de conteúdo para fazer críticas ou sugestões e para enviar fotos, vídeos, material para eventual matéria, envie para padinhafranca603@gmail.com

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  6. No caso das Aldeias Comunitárias que começam a ser construídas no Brasil, aqui mais um trecho da notícia da Folha de São Paulo que achegou até a gente via amigos. "Eles eram jovens no auge das comunidades alternativas das décadas de 1960 e 1970. Agora, reúnem-se para um projeto neo-hippie: moradias coletivas de idosos. Em São Paulo, um grupo faz encontros, há um ano, para tentar formar o primeiro “cohousing” do Brasil. São mais de 20 pessoas, a maioria entre 60 e 70 anos, atrás de uma opção que passa longe da ideia de asilos e se aprima da comunidade alternativa".

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  7. "No Brasil acontecem anualmente encontros que se chamam ECA, comunidades rurais alternativas, já aconteceram dezenas de vezes, com a idéia de se formar grupos que que querem viver no meio rural com a tecnologia de hoje e com uma identificação de cultura ecológica ou uma opção alternativa": comentário de Jonas Ribeiro Santos, economista, que atua em São Paulo, tendo já participado de alguns destes encontros em fazendas do interior: "Já há em várias regiões do país comunidades que têm esta opção de viver no campo com o conforto da cidade e mais, com maior liberdade, produzindo o alimento, convivendo com pessoas que pensam igual".

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  8. "Das antigas experiências hippies, a nova proposta mantém os objetivos de fortalecer vínculos comunitários e proporcionar cuidado mútuo. O que fica para trás é “o totalitarismo do coletivo, que anula a individualidade”, segundo a arquiteta Lilian Avivia Lubochinski, 68, integrante do grupo e estudiosa, desde os anos 1980, do “cohousing” (que ela chama em português de ‘co-lares’).
    Em seguida, define-se onde e como será o espaço, até que ele seja construído e habitado. Pode ser uma vila, um condomínio de casas ou um prédio de apartamentos.A preparação dura pelo menos três anos. Começa com a formação de um grupo com afinidades que queira morar em um mesmo local com uma outra filosofia de vida": outro trecho da matéria da Folha de São Paulo.

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  9. "Tanto do ponto de vista econômico, levando em conta o custo dum apê até numa Coab ou das casas populares, vejo como muito saudável este debate de novas alternativas de morar e de viver que serão tão mais importantes quanto maior crescer a crise da habitação e o caos urbano": comentário de Júlia Helena, que faz Arquitetura na USP e quando criança morava numa fazenda no interior de SP.

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  10. "Só um ponto de falha, é que a construção de um condomínio tipo Coab sai mais caro, este projeto da Vila Sustentável é ótimo mas para conjuntos bem pequenos de casas ou de prédios, de toda forma, uma proposta interessante": comentário de Ari Santos, técnico habitacional e corretor de imóveis, de São Paulo.

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  11. "Matematicamente uma vila assim é mais cara que uma Coab para milhares de pessoas mas economicamente isso pode se inverter, por exemplo, se ela for construída como mutirão, se o governo der descontos de impostos ou incentivos, se for realizada como uma construção social": comentário também do corretor Ai Santos, da capital paulista.

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