sexta-feira, 19 de maio de 2017

AO CONTRÁRIO DO QUE PENSAM OS QUE PEDEM A VOLTA DOS MILITARES AO GOVERNO ALÉM DO MAIS ELES PRATICARAM MUITOS CASOS DE CORRUPÇÃO

Debate com jornalistas independentes faz análise e conta  as histórias de corrupção na Ditadura Militar: o caminho da democracia parece ser o mais indicado para o Brasil sair do impasse atual e reencontrar a ética e a cidadania na política

O Brasil busca hoje um governo com ética, cidadania, sustentabilidade e paz
Aos 53 anos do golpe militar de 31 de março de 1964, que garantiu um governo ditatorial até cerca de 1988 no Brasil, com milhares de casos de tortura, censura, perseguições, a corrupção foi também uma marca deste período de exceção, a participação de grandes empreiteiras foi o tema principal do debate na Casa Pública, no Rio de Janeiro agora quando o país busca novos caminhos e alternativas para o impasse da atualidade. Segundo a conclusão dos debatedores, o governo dos militares foram os anos mais complicados da história brasileira, sob o ponto de vista da corrupção. Uma informação que chega a ser surpreendente para muitos, que sem saber do fato, vêm pedindo nas ruas a volta dos militares ao comando político do Brasil. Uma das diretoras da Agência Pública, que tem como objetivo o jornalismo investigativo e mais imparcial, Marina Amaral foi a condutora do debate, que foi denso e tenso, mas não deixou de responder a dois dos seus mais importantes questionamentos: como se engendrou a corrupção no período de exceção? Quem corrompia? Como este fenômeno tão atual hoje acontecia naquela época?
Participaram o ex-editor do jornal Movimento, Raimundo Pereira e o historiador Pedro Campos, que explanam suas visões e abriram as suas informações sobre este tema que preocupa a todos na realidade brasileira hoje em dia. Campos, autor de Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988, coloca em foco o crescimento e a consolidação das principais empresas do setor de construção pesada no Brasil, entre elas a big three Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht, investigadas na operação Lava Jato, da Polícia Federal. No enfoque aventura jornalística, Raimundo Pereira conta como foi driblar a censura para relatar os casos de corrupção no período. "A campanha anticorrupção contra o Jango Goulart serviu para derrubar um governo que apesar dos pesares era legítimo e o golpe de 64 foi um desastre, um de seus instrumentos de mobilização foram as denúncias de corrupção". A corrupção corrompeu a luta contra a corrupção...

Raimundo Pereira, Marina Amaral e Pedro Campos: liberdade e crítica no debate


A seguir, o blog do movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News resume o debate de muita importância na atualidade em dois pontos mais agudos e você pode depois ter outros detalhes do evento e das informações na nossa seção de comentários aqui nesta webpagina que nos último 7 anos está chegando a cerca de 500 mil visualizações, segundo medição oficial do Google. Confira os dois momentos que expressam bem o conteúdo principal deste evento de pesquisa histórica e de jornalismo. O diálogo na sequência é entre a diretora da Agência Pública e o ex-editor do jornal Movimento, uma exceção de visão crítica ou independente e um oásis de liberdade através da então chamada imprensa nanica ou alternativa (que tinha também outros veículos, como o jornal de humor O Pasquim) naqueles tempos que o Brasil só agora começa a rediscutir. A grande mídia naquela época, como agora também, com exceções, nem sempre cumpre a missão de informar com imparcialidade ou com liberdade crítica todos os acontecimentos.


Hora de buscar novas alternativas de união nacional e avanço da Nação aos cacos hoje em dia


Marina Amaral – Como o jornal Movimento enfrentou o desafio de fazer uma cobertura crítica ao governo militar na época da censura da imprensa? E quais os escândalos que vocês conseguiram investigar?
Raimundo Pereira  O Movimento foi censurado desde a edição número 1. Quando chegou o cara da Polícia Federal e avisou que o jornal seria censurado, perguntei como eles poderiam censurar se ainda não sabiam que tipo de linha editorial a gente iria seguir. E se fosse um jornal que elogiasse o governo? Ele riu. Mas o jornal foi censurado até a edição 154. E a censura da ditadura militar foi discriminatória nesse período, pois nenhuma notícia importante que afetasse pessoas do regime militar ou tivesse a ver com o regime passava. Quando a censura caiu, em junho de 1978, começamos a fazer um trabalho de apresentação da corrupção. A primeira edição foi com o Paulo Maluf, que na época divergia com o regime, pois queria ser candidato de qualquer maneira.  Fizemos o número 171 com a ajuda de militares dissidentes, por exemplo. É uma edição que ficou famosa e vendeu muito em banca, com oa manchete “Geisel no mar de lama”. Esta edição tratava de abusos e corrupção no governo militar, com informações passadas para a gente por esses militares dissidentes. Fizemos várias denúncias de escândalos durante todo o período, tudo registrado no livro de autoria das aqui presentes Mariana Amaral e Natalia Viana, que conta a história do Movimento e tem um DVD com todas as edições do jornal Movimento.
Mariana Amaral – Pedro, o que você pode dizer para a gente sobre os governos militares e as empreiteiras?
Pedro Campos Eu pesquisei as empreiteiras durante a ditadura para o meu doutorado em história na UFF (Universidade Federal Fluminense) e conclui uma tese que se tornou o livro Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, 1964-1988 (Eduff, 2015). Na pesquisa, eu precisei voltar para um período anterior à ditadura, porque essas empresas – a maior parte delas e as maiores, que hoje compõem a big three, a Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht – foram fundadas anteriormente ao regime, na década de 1930, 1940 e 1950. Naquele momento, havia um movimento da economia brasileira de deslocar o eixo de acumulação do capital do campo para a cidade e havia toda a demanda de uma infraestrutura para esse desenvolvimento urbano e industrial que vai ser contratado pelo Estado e realizado por empresas privadas. Essas empresas nascem já com esse objetivo, essa função de dotar o país de infraestrutura para essa nova forma de acumulação. São empresas de cunho familiar, como o próprio nome indica. Até hoje a Odebrecht é controlada pela família Odebrecht, a Camargo Corrêa, pela família Camargo e Andrade Gutierrez, pelas famílias Andrade e Gutierrez. Essas empresas cresceram muito no período Getúlio Vargas, mas ganham patamar nacional na gestão de Juscelino Kubitschek, na segunda metade da década de 1950, quando a gente tem dois grandes projetos principais: a construção da nova capital federal, a nova Brasília, e também as rodovias previstas no plano de metas, as grandes estradas de rodagem como a Belém-Brasília. Várias empreiteiras de diferentes estados vão se reunir nessas obras, vão se encontrar, mas essas construtoras tinham um cunho local. A Camargo Corrêa era tipicamente paulista, a Andrade Gutierrez só tinha feito obras em Minas Gerais até esse período, principalmente quando JK foi prefeito de BH, e fez obras para o município de Belo Horizonte e depois para o governo daquele estado. Essas empreiteiras vão se organizar em escala nacional no período Kubitschek. A minha pesquisa é muito voltada para tentar entender como esses empresários atuam, como eles se organizam e em que medida eles agem no aparelho do Estado. E fui verificar que esses organismos nos quais eles atuam funcionavam com algumas finalidades. Primeiro o cartel, com divisão de obras, acerto de concorrências e previsão da divisão do lucro em cada empreendimento. Muitas vezes eles acertavam previamente situações como: “Eu faço a obra, mas vou contratar vocês para fazer parte da obra”. Subcontratação. (E por aí vai o debate que em suma demonstra por A + B que o governo comandado por alguns militares corruptos não foi diferente do que viria a ser marca dos políticos da atualidade brasileira,  você pode ter todos os detalhes de mais esta tragédia nacional na íntegra do debates postados na Agência Pública, outros dados e fatos ou mensagens por aqui na nossa seção de comentários). Tim tim por tim tim, se você tem estômago fraco ou está extenuado de corrupções, a gente aqui poupa os mais sensíveis que estão cada vez mais escandalizados com o Brasil. Há contudo chances de outros caminhos, acima das diferenças partidárias até, hoje a nova união nacional passa a ser a busca dum governo brasileiro com ética e cidadania, sem corrupção e injustiças.

 
A história vem se repetindo no país e a luta contra a corrupção acaba se corrompendo
 
E os caminhos de solução acabam é criando mais problemas

O mar de corrupção passa também pela falta de gestão socioambiental


No meio do caos podem nascer saídas e nova união nacional?

Fontes: www.apublica.org
             www.folhaverdenews.com 

10 comentários:

  1. Logo mais, por aqui nesta seção, comentários, informações, outros trechos do debate da Agência Pública e mensagens de internautas: aguarde e participe da nossa próxima edição. Até mais.

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  2. Você pode colocar aqui a sua mensagem ou enviar um e-mail para a redação deste blog de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com.br e/ou para o nosso editor de conteúdo padinhafranca603@gmail.com

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  3. "Por falar em imprensa crítica, uma exceção ao grandes jornais, destaco aqui o Jornal da Tarde em São Paulo e também o Jornal do Brasil no Rio de Janeiro, que na época ditatorial procuravam manter a dignidade da mídia": comentário de Humberto Santos, que faz História na Unesp e pesquisa o período que é debatido pela Agência Pública.

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  4. "Na década de 50 a gente tem no Brasil dois grandes projetos principais: a construção da nova capital federal, a nova Brasília, e também as rodovias previstas no plano de metas, as grandes estradas de rodagem como a Belém-Brasília. Várias empreiteiras de diferentes estados vão se reunir nessas obras, vão se encontrar, mas essas construtoras tinham um cunho local. A Camargo Corrêa era tipicamente paulista, a Andrade Gutierrez só tinha feito obras em Minas Gerais até esse período, principalmente quando JK foi prefeito de BH, e fez obras para o município de Belo Horizonte e depois para o governo do estado.
    Essas empreiteiras vão se organizar em escala nacional no período Kubitschek. A minha pesquisa é muito voltada para tentar entender como esses empresários atuam, como eles se organizam e em que medida eles agem no aparelho do Estado. E fui verificar que esses organismos nos quais eles atuam funcionavam com algumas finalidades. Primeiro o cartel, com divisão de obras, acerto de concorrências e previsão da divisão do lucro em cada empreendimento. Muitas vezes eles acertavam previamente situações como: “Eu faço a obra, mas vou contratar vocês para fazer parte da obra”. Subcontratação.
    Marina Amaral – Já existia esse modelo antes da ditadura?
    Pedro Campos – Sim, inclusive com financiamento eleitoral e inserção junto ao PSD, que era o partido que tinha maior entrada das empreiteiras no período": comentários do pesquisador Pedro Campos, da UFF, um outro trecho impressionante do debate da Agência Pública, que enfocamos aqui no blog da cidadania para nosso movimento conhecer as raízes da corrupção, também no governo ditatorial a cargo de militares.

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  5. "As empreiteiras citadas agem no sentido de direcionar o orçamento para as suas finalidades e de pautar as políticas públicas conforme seu interesse, criando prioridade e necessidade na agenda pública. O primeiro presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada é um sujeito bastante desconhecido hoje, chamado Aroldo Poulain, que foi presidente da empreiteira Metropolitana e presidente do Inpes [Instituto de Pesquisa em Estudos Sociais], que é o organismo que criticava e tentava desestabilizar o governo João Goulart. Então, o golpe de 64 tem uma composição empresarial muito significativa, um golpe que a gente diria que é civil-militar ou empresarial-militar. E o regime inaugurado em 64 é um regime com intensa participação desses empresários do chamado capital internacional e associados, mas também com empresários domésticos com associação direta ou não com interesses estrangeiros": comentário do histporiador Pdero Campos, UFF, Agência Pública.

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  6. "Acompanhando a matéria e alguns comentários aqui vejo como é importante investigar o passado dum país para se buscar um futuro melhor e não se repetir erros, como o Brasil vem fazendo agora, com requintes de crueldade, uma violência contra as leis e os interesses da população": comentário de Eliane Santos Ribeiro, advogada, atuando pela OAB de Minas, em BH.

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  7. "Existem várias evidências de que o pagamento de propina era muito comum, porém as formas de práticas ilegais e irregulares naquele período tinham lá suas particularidades. Hoje, para uma empresa chegar até uma estatal, ela vai usar intermediários como Parlamento, partidos, mandatos, financiamento eleitoral, emendas parlamentares": comentário de Pedro Campos, historiador, UFF e Agência Pública.

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  8. "No caso do Brasil, a corrupção nunca foi nosso grande problema. A campanha anticorrupção contra o Jango serviu para derrubar um governo legítimo, prometendo transformações, grandes mobilizações populares, grande mobilização cultural. O golpe de 64 foi um desastre, e um de seus instrumentos de mobilização foram as denúncias de corrupção. Vou dar um exemplo. A China está numa campanha anticorrupção há cinco anos. Perto da campanha chinesa, que começou no fim de 2012, a Lava Jato não chega aos pés. Teve gente condenada à morte por corrupção. A China faz congresso a cada cinco anos, e no 12° Congresso o presidente do país fez o seguinte balanço: a polícia do Partido Comunista deteve 150 mil pessoas do Partido Comunista. Não é muita gente porque o partido tem 88 milhões de filiados e 95% das denúncias são acusações de corrupção. Do que lembro, a polícia do partido encaminhou à polícia estatal para a punição 25 mil pessoas, assim como fez com Bo Xilai, um alto dirigente, e com sua mulher, que foi condenada à morte também. Então, a corrupção é muito ampla. Tem gente que fala que está ligada à natureza humana, o que eu acho uma bobagem, mas dá uma ideia de que a corrupção não existe. Fui presidente de empresas da imprensa alternativa, não passei por nenhuma em que não houvesse um caso de corrupção, um menino que roubou uma coisa do outro, que foi fazer um depósito nosso no banco e depois foi fazer uma pequena falcatrua. Sergio Moro, na minha modesta opinião, criou a tese de que foi o PT que inventou a corrupção": comentário de Raimundo Pereira, ex-jornal Movimento na matéria da Agência Pública.

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  9. "A gente tem uma multiplicação impressionante dos acidentes de trabalho, uma marca do regime. Na década de 1970, o próprio Chico Buarque não faz a música “Construção” à toa: ”Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”. O que a gente vê naquela época é uma elevação bastante significativa dos acidentes e das mortes. Na década de 1970, que é o pico da economia brasileira, o chamado milagre econômico, acontece uma série de obras no país, e são 8 mil mortes por ano. É um genocídio. Existiu uma política de isenção fiscal para as empresas, e por via política endereçada aos trabalhadores. E isso precisa ser lembrado para esclarecer a população do que foi a ditadura, tendo em vista que muitas pessoas hoje defendem a intervenção militar": comentário do pesquisador da História do Brasil e do período ditatorial na entrevista da Agência Pública, histórica e do maior valor de informação hoje em dia.

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  10. "Fui apresentado hoje com essa matéria à Agência Pública e agora, podem crer, estarei acessando este site direto e reto, a bem de levantar informações para meus alunos e alunas": comentário de Rogério Duarte, de Curitiba (Paraná), professor de História que se formou na USP em São Paulo.

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