segunda-feira, 1 de maio de 2017

EM NOME DE TODO NOSSO MOVIMENTO A GENTE AQUI HOMENAGEIA BELCHIOR QUE FOI TAMBÉM UM ECOLOGISTA


Músico e ambientalista o cearense Belchior morreu de causas naturais e ouvindo música clássica no seu autoexílio no sul: criou músicas que marcam uma geração 

Belchior indo à luta segundo o designer Drummond


Marcos Magalhães, de Fortaleza (Ceará) nos mandou e-mail com informações do Correio da Bahia, também a Agência Brasil, através do repórter Luciano Nascimento, foi um dos primeiros veículos da mídia a informar a morte ontem do cantor e compositor Belchior, uma morte de causa natural, enquanto descansava e ouvia música clássica. Esta causa mortis foi confirmada pela delegada plantonista no Pronto Atendimento (DPPA), Raquel Schneider, fazendo uma primeira investigação sobre a morte deste artista cearense, 70 anos, que se deu no Rio Grande do Sul, ele foi também um ecologista, sintonizava e apoiava as lutas socioambientais, tendo sido por alguns anos até mesmo filiado ao PV (Partido Verde), na época presidido nacionalmente por um parceiro seu, José Luiz Penna, também amigo do editor de conteúdo do nosso blog ligado ao movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News. Devido a este lado menos conhecido de Belchior, ele está sendo homenageado aqui neste webespaço do nosso movimento, um cidadão cearense e brasileiro que foi à luta por um avanço cultural e político do país: "Ele pensava em termos de criação do futuro do Brasil e do ser humano", resumiu aqui no blog nosso editor o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha: "Exames médicos iniciais revelam que a possível causa da morte de Belchior teria sido uma dissecção na aorta, mas assim como por exemplo, o cineasta Glauber Rocha e muitos outros produtores culturais rebeldes, o músico e ecologista Belchior morreu também de aborrecimento, ele que há 10 anos vivia um autoexílio, isolado ultimamente em Santa Cruz do Sul (RS) onde estava com a sua mulher Edna Prometeu, procurando o anonimato e a paz", comentou ainda Padinha, aqui.
 



O músico e ecologista que curtia muito ficar e compor à beira mar

O corpo do importante compositor foi encontrado ontem por sua companheira, Edna Prometeu, na sala de estar da casa em que vivia no município de Santa Cruz do Sul (RS), na manhã de domingo. De acordo com a delegada, a possível causa da morte de Belchior teria sido um problema na aorta, quando há uma divisão na parede da artéria (composta por três camadas), levando o sangue a seguir um falso trajeto entre as camadas. Segundo ela, somente o laudo médico do Instituto Médico Legal (IML) poderá confirmar esta hipótese. A companheira de Belchior informou que o músico estava escutando música clássica em uma sala nos fundos da casa, quando se queixou de sentir frio e de dor nas costas. Belchior teria pedido um cobertor e disse que permaneceria no sofá da sala, onde gostava de curtir músicas e vídeos. Há relatos de que, nos casos de dissecção da aorta, em geral as pessoas relatam uma dor aguda iniciada no tórax e que se irradia em direção à coluna, de cima para baixo. Apesar de não haver informações sobre a saúde do cantor, a hipertensão arterial é o fator mais comum nos casos de dissecção. Na sua vida de intensa luta cultural, Belchior foi autor de mais de 20 discos, um dos ícones da MPB, com canções que marcaram duas os três gerações, eleveio de Sobral, no norte do Ceará, é autor de sucessos como A Palo Seco, Medo de Avião (em parceria com Penna), Apenas um Rapaz Latino-Americano e Como Nossos Pais (duas canções de sucesso com Elis Regina). Além de Elis, ele se identificava com Raul Seixas e com Gonzaguinha, curtia também os Beatles e os Rolling Stones. "Suas composições marcaram décadas nas vozes de grandes artistas brasileiros e deixam um legado artístico e cultural para o Brasil e para mundo", diz um trecho da matéria no jornal Correio da Bahia, que detalha: o corpo de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes foi transferido para Cachoeira do Sul (a cerca de 200 km de Porto Alegre), de onde seguiu para a cidade de Venâncio Aires. Só então foi encaminhado para Porto Alegre, de onde finalmente partiu para Fortaleza. A previsão é que o corpo chegue no aeroporto Pinto Martins, na capital cearense, hoje no início da manhã desta segunda-feira (1º de maio). De lá, segue para a cidade natal do artista, onde será velado por cerca de duas horas, no Teatro São João desta cidade, que entrou no mapa do Brasil graças a  Belchior. O que já se sabe é que haverá uma cerimônia fúnebre, na terça-feira, amanhã, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema, em Fortaleza, onde o artista deverá ser enterrado. Praia de Iracema, que era um dos lugares onde ele gostava de ficar e de compor. Hoje ele fica em definitivo, também no coração de todos os que no país amam a música e a ecologia da vida. 

Antônio Carlos Belchior foi contemporâneo de grande fase da MPB...

...com alguns amigos como Gonzaguinha...

...Raul Seixas....

...Elis Regina, a sua intérprete preferida

Uma das últimas fotos de Belchior em seu autoexílio


Fontes: www.correio24horas.com.br
             Agência Brasil
             www.folhaverdenews.com

10 comentários:

  1. O jornal e site da Espanha (UE) destacou bastante Belchior na sua edição de hoje: "Morre o cantor Belchior aos 70 anos. Anúncio do falecimento foi feito pelos jornais cearenses. Governador do Ceará divulga nota de pesar. O cantor e compositor Belchior, expoente da música popular brasileira por suas letras contestatórias, melancólicas e irônicas, morreu neste sábado aos 70 anos. De acordo com os jornais O Povo e Diário do Nordeste, do Ceará, Estado natal do músico, os familiares não divulgaram a causa do falecimento que ocorreu na cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul. O governador cearense, Camilo Santana disse em nota de pesar que "o povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente tudo que fez e pelo legado que deixa". O Governo do Ceará, que decretou luto oficial de três dias": resumo da notícia que circula também pela Europa, onde o seu ativismo como ambientalista era conhecido.

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  2. A ilustração que postamos hoje em nosso blog para homenagear Belchior foi feita pelo designer Marcos Paulo Drumond para comemorar os 70 anos do cantor, em 2016.

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  3. Logo mais aqui nesta seção outros comentários e mensagens sobre Belchior. Aguarde nossa edição e participe, pode por aqui sua msm ou enviar e-mail para a nossa redação navepad@netsite.com.br e/ou se preferir, envie para o nosso editor de conteúdo do blog padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Uma voz que não se cala, a suas cançoes ficam para mostrar o seu talento e a sua visão crítica mas também romântica e emocionada do país": comentário de Marcos Magalhães, de Fortaleza (Ceará) que nos enviou material sobre Antonio Caelos Gomes Belchior Fontonelle Fernandes: "O nome é grande, a pessoa também".

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  5. "As canções do compositor cearense debateram, desde os anos 1970, a alienação, as relações mercantis e a própria indústria cultural. Mas alguns procuraram enquadrá-lo como apenas um rapaz romântico, vindo do interior, Belchior foi bem mais do que apenas isto": comentário de Alberto Sartorelli, jornalista da área cultural.

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  6. "A capa do jornal O Povo de Fortaleza (edição online) e uma nota do governador do Ceará, Camilo Santana foram os primeiros a anunciar a morte do compositor e cantor Belchior. Ele tinha 70 anos e, segundo as informações, estava na cidade gaúcha de em Santa Cruz do Sul (RS), 150km a oeste de Porto Alegre, quando faleceu, ontem à noite. Segundo O Povo, Belchior será sepultado em sua cidade natal, Sobral. No texto a seguir, escrito pouco antes do 70º aniversário do compositor cearense, Alberto Sartorelli destaca algo pouco examinado na crítica da obra de Belchior — a constante denúncia da alienação e da mercantilização do mundo. Pouco notadas à época em que suas canções foram compostas, estes traços tornavam sua poética ainda mais atual agora": comentário também a nós enviado por Marcos Magalhães, advogado e produtor cultural, de Fortaleza, Ceará.

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  7. "Em estética, o artista engajado politicamente deve escolher entre dois caminhos: o da forma artística de difícil assimilação – e remuneração! – para o público e para a indústria cultural; ou o da forma mais simples, de fácil assimilação do público e do show business. Ambas as opções estão fadadas ao silêncio político: uma não apela, a outra tem seu apelo anulado pela caricaturização. No fim, a indústria cultural impede que qualquer artista seja levado muito a sério, por seu ostracismo ou por sua redução a uma imagem vendável. Belchior demonstra uma compreensão total do processo de nivelamento – por baixo – da cultura por parte da indústria cultural, dificultando demasiado a ocorrência de composições com alto grau de complexidade – os artistas que se propõem a tal correm sempre o risco da miséria material e do esquecimento. Os próprios arranjos dos discos de Belchior são bem simples, com o teclado tendendo ao “engraçado”. Não é da mesma maneira em relação às letras, sempre de uma profundidade abissal e crítica ácida, com todo fundamento": comentário também de Alberto Sartorelli, no jornal O Povo, de Fortaleza (Ceará).

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  8. "Fiquei contente quando vi que o movimento ecológico, científico e de criação do futuro não se esqueceu da luta deste músico e cidadão, uma pessoa brilhante no seu trabalho e na sua luta": comentário de Marina Alves Cesário, de São Paulo (SP), que promoveu na década de 80 alguns shows de Belchior na USP.

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  9. O bloco de carnaval Volta, Belchior mobilizou na tarde do feriado de ontem em Belo Horizonte uma legião de fãs para homenagear o músico cearense. Cerca de mil pessoas, muitas dela portando bigodes verdadeiros e postiços, se reuniram no mercado distrital do bairro Cruzeiro para cantar sucessos como Apenas um rapaz latino-americano, Velha roupa colorida e Como nossos pais. O evento, com entrada gratuita, foi o segundo organizado pelo bloco desde a morte de Belchior. E mostra a força do músico no Brasil.

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  10. "Guardo a memória de Belchior como amigo, fumando um charutão e deitado na rede. Ele foi um artista completo: fazia letra, música, partitura e cantava. Temos de mostrar nesse momento que ele era um artista muito querido em todo Brasil, que venceu na vida. Estávamos aguardando novos lançamentos que ele tinha falado": comentário do irmão mais novo, Francisco Gilberto Belchior, que nos informou que o último contato direto que teve com ele foi há dez anos. Quatro anos atrás, tentou falar por telefone, mas não teve retorno. Belchior se isolou e buscava a paz.

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