segunda-feira, 26 de junho de 2017

NADA MENOS DO QUE 500 BARRAGENS AMEAÇAM SUFOCAR O RIO AMAZONAS ALERTA REVISTA CIENTÍFICA NATURE

Um dos mais importantes jornais e sites da Espanha está alertando sobre o estudo da Nature: impacto sobre os rios da Amazônia será irreversível caso todas as represas que estão planejadas hoje forem construídas

 
Já há 140 barragens e estão previstas cerca de 500 arrasando a ecologia da Amazônia


Miguel Angelo Criado é o repórter que assina o alerta jornalístico no El Pais: ao longo do rio Amazonas já existem 140 barragens hidrelétricas em funcionamento ou em construção e outras 428 estão planejadas. Mesmo que no final apenas uma parte delas saia efetivamente do papel, os cientistas acreditam que seu impacto sobre os rios amazônicos será no mínimo desastroso. Um estudo global sobre as consequências de tantas barragens aponta que elas alterarão o curso do rio, retendo a maior parte dos sedimentos e nutrientes fluviais que não produzirão seus efeitos benéficos na planície amazônica, sufocando a vida que depende do rio e do oceano onde acaba.Tudo no rio Amazonas é desmedido. Seu principal trecho tem cerca de 2.000 quilômetros até a foz no Atlântico, em um estuário com mais de 300 quilômetros de largura. Mas ainda há outros 5.000 quilômetros até o extremo oposto, a nascente nos Andes peruanos, onde correm seus principais afluentes. Alguns, como o Madeira, o Negro ou o Japurá estão entre os 10 maiores rios do planeta. A Bacia Amazônica cobre uma área de 6,1 milhões de km2, 12 vezes maior que a Espanha. E a água que flui pelos rios amazônicos equivale a 20% da água doce líquida da Terra.



Já planejadas cerca de 500 barragens como Belo Monte prestes a funcionar


Mais de 60% dos sedimentos trazidos pelo Amazonas às matas e planícies ficará preso nos reservatórios, advertem pesquisadores especializados. Apesar de tanta enormidade, nenhum rio sobrevive a 568 barragens. Essa é a principal conclusão de um amplo estudo do qual participaram de ecologistas a engenheiros, passando por economistas e geólogos de uma dezena de universidades norte-americanas, alemãs, britânicas e brasileiras. Apesar de cada barragem trazer consigo um estudo de impacto ambiental, nunca havia sido estudado o impacto macrorregional de todas as barragens existentes e a construir na Bacia Amazônica. A pesquisa, publicada pela revista Nature, analisa o impacto que elas terão sobre a vida do rio, das inundações sazonais que dão vida à Amazônia, aos sedimentos que deixará de arrastar até a desembocadura no Atlântico. Os governantes do Brasil vão ser responsabilizados pela destruição e desequilíbrio desta maravilha da ecologia do país e da planeta. 

A Bacia Amazônica apesar da grandeza não resistirá 500 barragens...


Entre todos os importantes afluentes do Amazonas, o rio mais vulnerável é Madeira, um dos 10 mais caudalosos do mundo, que sozinho contribui metade dos sedimentos que o Amazonas leva ao mar. Com um índice de vulnerabilidades superior a 80, só no Madeira vivem cerca de 1000 espécies de peixes, o triplo do que ainda existe em todos os rios da Europa. Mas o caso mais impressionante talvez seja o do Tapajós, o principal afluente da margem direita do Amazonas. Em seu trecho principal não há nenhuma barragem. No entanto, é e será um dos mais afetados pela construção de dezenas de barragens em seus afluentes, criando um sistema interligado de represas e pântanos artificiais ao longo 1.000 quilômetros, quase a distância entre Madri e Paris. Para o especialista Latrubesse, “seria impossível construir esse tipo de obra de enorme impacto ambiental em países desenvolvidos”. 


Grandes hidrelétricas não são solução sustentável na Amazônia


A justificativa para essa loucura tem sido a necessidade de gerar a energia para que Brasil, Equador, Peru ou Bolívia pudessem basear seu desenvolvimento. No entanto, as megas represas hidreletricas não parecem ser a solução na América do Sul, uma das regiões da Terra com maior potencial para as energias mais limpas, como a solar ou a eólica entre outras alternativas para um desenvolvimento de verdade e sustentável, capaz de equilibrar interesses econômicos com ecológicos. O pesquisador da Universidade de Oxford e coautor do estudo, Atif Ansar, lembra: “Nossas pesquisas anteriores mostraram que, devido ao sistemático problema dos custos adicionais e a ampliação dos prazos, o custo real das grandes barragens é muito alto para ser recuperado”. Mas esses trabalhos eram baratos, não incluíam o impacto ambiental. Agora, diz, “as grandes barragens não apenas são inviáveis economicamente como também ambientalmente muito prejudiciais”. E os rios como estes maravilhosos caminhos de água da Amazônia são muito mais do que somente rios ou água, confira mais informações e detalhes da pesquisa dos cientistas na nossa seção de comentários aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News. 

Além de toda natureza lá há 385 povos indígenas dependentes dela...

...500 mil espécies, algumas muito raras como os Botos, Golfinhos da Amazônia


Fontes: www.brasil.elpais.com
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. A pesquisa, publicada pela revista Nature, analisa o impacto que tantas grandes hidrelétricas terão sobre a vida do rio, das inundações sazonais que dão vida à Amazônia, aos sedimentos que deixará de arrastar até a desembocadura.

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  2. "Os rios não são apenas água. Também carregam grandes quantidades de sedimentos que arrancam de um lado e depositam no outro. Esses sedimentos são o substrato mineral da vida numa enorme região de mais de um milhão de km2, entre zonas úmidas e planícies de aluvião. Em seu último trecho, o Amazonas transporta anualmente entre 800 milhões e 1,2 bilhão de toneladas de lama, areia e argila e pelo menos a metade disso acaba no oceano. Em cada barragem que surgir entre o rio e o mar, uma porcentagem desses sedimentos ficará presa no concreto": comentário ainda da pesquisa Nature.


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  3. “Lembrem-se do antigo Egito, que dependia dos sedimentos do rio que fertilizavam as terras da planície de aluvião”, comenta o pesquisador da Universidade do Texas, em Austin (EUA), e principal autor do estudo, Edgardo Latrubesse. “O Nilo é hoje um rio totalmente regulado de maneira artificial por megarrepresas. É um caso típico que exemplifica os enormes impactos provocados por infraestruturas construídas há várias décadas, que produziram grandes impactos sociais, ambientais e econômicos”, acrescenta o especialista em geomorfologia dos rios. "Não é a primeira vez que a situação do Egito moderno é relacionada com a alteração do curso do seu grande rio".

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  4. O pesquisador Latrubesse conhece bem o ecosistema amazônico, o impacto combinado das barragens poderia provocar que mais de 60% dos sedimentos que o rio arrasta fique preso. “No Yangtzé [onde foi levantada a barragem das Três Gargantas], a retenção atualmente já é de mais de 75% e em outros rios, como o alto Paraná, no Brasil, a retenção é superior a 100%. Valores maiores que 70-90% são típicos no mundo. Esperamos algo semelhante no Amazonas se tudo for construído”,

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  5. Os rios de várzea onde cresce a Vitória-régia por exemplo e criatório de peixes, dependem das inundações sazonais do Amazonas. Essa interferência na dinâmica do rio terá “consequências desastrosas”, nas palavras de Latrubesse. Os sedimentos não transportam apenas nutrientes para a várzea, mas são parte integrante do rio: “Os barrancos sofrem erosão, assim como ilhas e partes da várzea, enquanto novas áreas surgem por sedimentação”, lembra o pesquisador. Essa dinâmica ajuda a manter uma grande variedade de ecossistemas e, para os biólogos, “esse processo de regeneração é um mecanismo muito importante, que contribui para a criação da biodiversidade nesta macrorregião".

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  6. Os autores do estudo da Nature criaram um índice de vulnerabilidade dos rios ao impacto das barragens. Em um máximo de 100, alguns rios da parte andina, como o Marañón, poderiam atingir um índice de 72. Em sua cabeceira foram construídas ou planejadas 104 barragens de mais de um megawatt (MW) de capacidade de geração. Mais abaixo, o rio mais vulnerável é Madeira, um dos 10 mais caudalosos do mundo, que sozinho contribui metade dos sedimentos que o Amazonas leva ao mar. Com um índice de vulnerabilidades superior a 80, no Madeira vivem cerca de 1.000 espécies de peixes, o triplo do que em todos os rios da Europa".

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  7. A justificativa para tantas grandes hidrelétricas tem sido a necessidade de gerar a energia para que Brasil, Equador, Peru ou Bolívia pudessem basear seu desenvolvimento. No entanto, as represas hidrelétricas não se aproximam da solução. O pesquisador da Universidade de Oxford e coautor do estudo, Atif Ansar, lembra: “Nossas pesquisas anteriores mostraram que, devido ao sistemático problema dos custos adicionais e a ampliação dos prazos, o custo real das grandes barragens é muito alto para ser recuperado”. Mas esses trabalhos eram baratos, não incluíam o impacto ambiental. Agora, diz, “as grandes barragens não apenas são inviáveis economicamente como também ambientalmente totalmente prejudiciais”.

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  8. Você pode colocar aqui sua informação ou comentário mas se preferir envie sua mensagem para a redação do nosso blog de ecologia: navepad@netsite.com.br Você pode também nesse sentido contatar nosso editor do blog pelo e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  9. "Este é um documento impressionante, a grande mídia brasileira precisa divulgar estas conclusões desta pesquisa, a bem do futuro e da vida da Amazônia e do próprio Brasil": comentário de Laerte Moreno Campos que é engenheiro florestal no sul do país ma também fez pesquisas no Amazonas.

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