Num país em crise crianças e adolescentes sofrem mais problemas

Esta pauta tão importante como difícil se transformou numa matéria bastante ampla na Agência Brasil, através dos repórteres Adriana Franzin e Leandro Melito: confira a seguir 3 informações que têm a ver diretamente com este tema. 1 - Oitenta por cento das decisões de compra das famílias são influenciadas por crianças, segundo um estudo feito pela INS/InterSciense em nível planetário: em geral, os pequenos pedem produtos alimentícios (92%), seguidos por brinquedos (86%) e roupas (57%). Biscoitos, bolachas, refrigerantes, salgadinhos de pacote, achocolatados, balas e chocolates são os mais requisitados, sendo que a ecolha é induzida principalmente pela televisão (73%), aponta a respeitada pesquisa.
2 - A obesidade infantil relacionada à propaganda atinge crianças do mundo inteiro e já levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a apontar a necessidade da regulação da publicidade de alimentos: em 2012, durante o congresso World Nutrition, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) publicou o documento “Recomendações para Promoção e Publicidade de alimentos e bebidas não alcoólicas para crianças nas Américas”.
3 - Além da obesidade (que leva a doenças crônicas como cardiopatias, hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer), a propaganda infantil também estimula o materialismo, o individualismo e a violência. Pesquisa da Fundação Casa em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que mais da metade dos adolescentes internados por conflitos com a lei estão envolvidos em crimes ligados a bens de consumo. Diante estas e de outras informações e estudos, o Idec está radicalizando e se mostrando hoje contrário a quaisquer propagandas que se dirigem diretamente a crianças e adolescentes.
 
O ser humano criança ou adolescente precisa ser protegido no consumo

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) é contrário a qualquer propaganda dirigida às crianças: "O que os especialistas entendem é que toda publicidade que tem o público infantil como interlocutor desrespeita o princípio da identificação, pois a criança não tem condições de analisar criticamente o interesse mercadológico que existe por trás da informação direcionada a ela, isso já é um consenso e por ser hipervulnerável às práticas de marketing, esse público consumidor  e telespectador merece especial proteção”, comenta a advogada do Idec Mariana Ferraz.

Publicidade infantil aumenta os riscos de doenças e obesidade

Também compõem a lista de problemas causados pelo excesso de publicidade destinada a crianças: o estresse familiar – quando há um desconforto no interior dos lares gerado pelos pedidos sucessivos das crianças e da incapacidade dos pais em atender –, e o endividamento das famílias. "Um total de 64% das mães afirmaram já terem se endividado para agradar os filhos", diz Renato Godoy, do programa de estudos Criança e Consumo do Instituto Alana: "A criança acaba por se tornar uma promotora de vendas de produtos e aos pais resta o único papel de dizer não e de restringir o acesso a esses bens em competição bastante desigual contra o mercado”, argumenta Renato Godoy.

Além da obesidade a violência é estimulada pela publicidade infantil
Talvez por outros interesses, o vicepresidente executivo da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), Humberto Mendes, discorda desse viés. Na opinião dele, é imputado à criança um poder de decisão maior do que aquele que ela realmente tem: “Não existe propaganda infantil. Existe propaganda. Ela pode ser direcionada a qualquer um. A criança não tem poder de influência. A criança pede. Quem toma a decisão de comprar é o adulto”, questiona Mendes ainda: "A gente tem que parar de imputar essa responsabilidade às crianças, criança precisa de amor e carinho. Não de um celular. Mas, às vezes, os pais são mais carentes do que as crianças".


Um dos monstros da sociedade de consumo também em nosso país
  
Tem havido conversas com vários setores desde anunciantes a radiodifusores e setor produtivo levando adiante esta preocupação e a necessidade duma nova conscientização ou até duma nova realidade. Tem sido citado o exemplo da TV Brasil, que tem mais de cinco horas de programação diária voltada ao público infantil sem publicidade. A TV Cultura de São Paulo também tem uma programação premiada internacionalmente e não se vale dessa deficiência de experiência de julgamento da criança para manter essa programação. Porém outras redes de TV (SBT, Globo, Record, Bandeirantes) veiculam produtos infantis também em meio à programação destinada a crianças e adolescentes, que são mais manipuláveis que pais ou mães, mas este também sofrem uma overdose diária de apelos ao consumo da garotada nem sempre levando em conta os riscos e perigos, de saúde, de comportamento, de psicologia e de formação dos seres humanos da chamada Geração Z, garotos e garotas da atualidade, influenciados demais atualmente pelas babás virtuais e digitais.


TVs e Smartphones babás virtuais e digitais da Geração Z

Confira na nossa seção de comentários aqui no blog da ecologia e da cidadania alguns projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratam da regulamentação desta realidade, bem como outros detalhes e enfoques deste problema que precisa ser resolvido de forma sustentável a bem de toda uma geração de crianças e adolescentes.  




Crianças saudáveis e equilibradas: prevenção também de saúde para população adulta

Fontes: Agência Brasil
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