domingo, 20 de agosto de 2017

O INTERIOR DO BRASIL PODE ACABAR VIRANDO DESERTO E NEM COM AS CHUVAS DA PRIMAVERA A SITUAÇÃO PODERÁ SER REVERTIDA EM ALGUMAS REGIÕES COMO NA PARAÍBA

O sertão não virou mar mas pode virar um deserto segundo pesquisadores



A seca e a degradação dos rios e das nascentes em Minas Gerais, a advertência de cientistas de que a Amazônia começa a virar uma savana e um levantamento recente do INSA são alguns dos sinais de alerta: a situação é dramática também em geral em várias áreas do Cerrado e em especial em pontos do Nordeste do país: na Paraíba a desertificação ameaça 94% das terras e já é vista como irreversível


A desertificação já pode ser vista como uma tragédia anunciada

Para confirmar as previsões negativas entre especialistas, a repórter Krystine Carneiro, do G1 da Paraíba, levantou a questão já quase trágica deste estado após ter acesso a um estudo do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), a região mais afetada por este problema de grande dimensão que se espalha pelo Brasil: há uma certeza entre os pesquisadores de várias regiões, o processo de degradação ambiental torna as terras inférteis e improdutivas. Não precisa mais nada para que no país o movimento ecológico, científico e de cidadania seja ouvido e se inicie no Governo Federal e em todos os estados e municípios o mais rápida e profundamente possível uma gestão ambiental sustentável em busca do reequilíbrio da ecologia com a mesma urgência com que se busca uma retomada da economia.

Urgente programa nacional de desenvolvimento sustentável e recuperação ambiental

Não se trata de previsões apocalípticas de ecologistas ou cientistas, mas já é uma constatação  até de órgãos oficiais do Ministério do Meio Ambiente, pelo que já constata o INSA os núcleos de desertificação do semiárido brasileiro compreendem uma área que chega a 68.500 km² em cinco estados: Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí. Esse locais já atingiram níveis de degradação tão altos que já são comparados aos desertos, ecossistemas naturais característicos de zonas mais áridas. Dos 59 municípios que estão nesse perímetro, conforme a classificação dos próprios técnicos governamentais 28 são da Paraíba, localizados no núcleo do Seridó. Outra área em situação crítica do estado são os Cariris.  Outros 29 municípios da Paraíba estão em Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD), sendo 12 no Cariri Oriental e 17 no Cariri Ocidental.
  

Águas secando em Minas, no Nordeste, no Cerrado e até em alguns pontos da Amazônia
    


A violência da seca afeta demais a economia e a ecologia brasileira 


O site EcoDebate  já destacou também que os núcleos de desertificação do semiárido brasileiro compreendem uma área 68.500 km² em cinco estados: Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí. Esse locais já atingiram níveis de degradação tão altos que são comparados aos piores desertos. Pesquisadores e ecologistas também perceberam que, desde 2010, a seca tem contribuído para a expansão de várias áreas de desertificação. De acordo com os números levantados por equipes do laboratório, áreas de entorno estão aumentando nos últimos anos: "Com elas se pode atingir um salto significativo nas áreas classificadas como degradação muito forte e forte nos próximos anos”, comenta ainda o especialista Humberto Barbosa. Além do solo, a desertificação ainda pode afetar a capacidade de rios e açudes que, com o desmatamento da mata ciliar, a camada infértil do solo é retirada e acaba sendo depositada nas áreas com água. O depósito de areia no Rio São Francisco tem diminuído a vazão dele em muitos pontos. Então a desertificação pode afetar a saúde do rio ícone do interior do Brasil. Há uma relação direta. Isso leva tempo, não vai ser breve, mas já vem acontecendo. O depósito de areia no açude de Boqueirão por exemplo já é muito grande e diminui a capacidade volumétrica do açude.


Este grande problema já afeta nascentes, rios e açudes de várias regiões do pais
O processo de desertificação é lento e tem início com o desmatamento de uma área, conforme explica o professor Humberto Barbosa. Esse espaço desmatado é abandonado ou ocupado com pastos e pecuária extensiva. Com isso, o solo fica mais exposto ao sol, água e vento devido à extração da floresta e a substituição por uma vegetação rasteira frequentemente manipulada de forma inadequada. Como consequência, o solo fica mais fragilizado aos agentes erosivos e perde sua capacidade de absorção de água e nutrientes, desencadeando um maior escoamento superficial. Assim, grandes quantidades de solo são levadas, causando assoreamento dos rios e açudes e, finalmente, o solo chega até o mar. “De lá fica difícil trazê-lo de volta”, explica ainda Humberto Barbosa. A última etapa, a perda da fertilidade e da capacidade produtiva do solo é a situação terminal. A partir daí, a terra deixa de produzir alimentos, a atmosfera se desidrata e se aquece, dificultando as chuvas, as reservas de água das profundidades do solo diminuem, as fontes se estancam e os rios se tornam intermitentes. Logo, a população local emigra, some, o deserto cada vez mais se forma.


Até em alguns pontos do sudoeste do Amazonas sinais deste grande problema


(Confira na seção de comentários do nosso blog algumas alternativas para se combater o processo de desertificação, que já é uma triste realidade no interior brasileiro)


Urge recuperar a ecologia das terras e das águas no Brasil agora



Fontes: INSA - G1 - em - IHU - EcoDebate
              www.folhaverdenews.com

12 comentários:

  1. Sites como BBC já destacaram que em vários países estão acontecendo estudos, pesquisas e novas alternativas para desenvolver formas de reflorestar desertos, quase sempre, usando métodos caros e com intensiva demanda de capital. O problema com muitos desses métodos é que frequentemente dependem de subsídios para viabilização. Se quisermos plantar árvores em dois bilhões de hectares de desertos, existentes hoje na Terra, então esse princípio fica impossível de seguir. O problema é grande demais para resolver com subsídios. O problema deveria se resolver por si mesmo, ao se desenvolver um princípio onde um investidor, uma ONG ou um governo, possam ter um bom retorno sobre investimento, uma vez que o deserto seja arborizado. Precisamos plantar dois bilhões de hectares com árvores.

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  2. "Um dos problemas em nível mundial em relação a essas soluções é que elas nem sempre são todas sustentáveis: em muitos casos a água subterrânea, que foi criada em milhares de anos, é consumida agora em algumas centenas de anos. Para utilizar essa água, bombas são instaladas para retirá-la do solo e outras bombas são instaladas para levá-la às árvores. Portanto, além de gastar água se gasta também energia. No fim das contas, podemos dizer que muitas dessas soluções não são sustentáveis e que muitas, senão todas, não vão levar à solução que precisamos, reflorestar os desertos": comentário extraído do Groasis Waterboxx® plant cocoon

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  3. "Atualmente, algumas empresas e fundações começam a reflorestar grandes áreas de terra fértil com produtos - por exemplo: açúcar ou árvores - que possam ser usados na produção de biocombustível. Vale dizer que terra com potencial para alimentar populações é usada para fabricar biocombustível para ser consumido em carros nos países ricos. Consideramos nã ser ético o uso de terra fértil para produção de biocombustível quando poderia produzir alimentos. O Groasis Waterboxx® plant cocoon oferece a opção de usar terras erodidas, rochosas ou áridas, para produzir biocombustível em larga escala por meio de reflorestamento; e ainda mais, o fazendo a um custo mais baixo do que usar terra fértil. Existem dois bilhões de hectares de terras nestas condições aguardando tal solução".

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  4. Participe você também desta nossa edição que debate como combater a desertificação, coloque aqui o seu comentário ou mande um e-mail com esse conteúdo para a redação do nosso blog de ecologia que aí a gente posta aqui sua msm: mande s/ msm para navepad@netsite.com.br

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  5. "Uma da maneiras de recuperar a terra em desertificação é recultivar as plantas e árvores que existem ali antes de serem retiradas pelo homem. A vegetação nativa é o que mantém a saúde da terra e de tudo que depende dela: os ciclo das chuvas, as plantas e os animais": comentário de Renato Fernandes, engenheiro florestal, que atua no estado de Minas Gerais.


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  6. "Um jeito certo de evitar que o solo se esgote e usar a rotação de cultura. Quer dizer, de tempos em tempos, trocar o tipo de plantação. Ou então praticar uma agnocultura combinada: plantar duas coisas juntas. Com milho e feijão dá para fazer isso. E há muitas outras maneiras de se recuperar e preservar os solos, existe tecnologia, basta gestão no caso": comentário de Valdir Ribeiro, técnico agrícola pela Fundação Paula Souza.


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  7. "A maior parte da superfície da Terra apropriada para árvores está erodida: mais de 5 bilhões de hectares estão prontos para usar, o que representa 30% da superfície do planeta. Pradarias e áreas abertas com poucas árvores se originaram pelo uso como pastagem natural ou pela criação de gado, vindo o vento em seguida manter esses espaços abertos. Grandes porções de terra têm sido desmatadas. De um lado por causa da necessidade crescente de terra para a agricultura, pecuária e horticultura, de outro lado, pela demanda de madeira. Também é um problema o desmatamento causado pelo uso excessivo como pastos que literalmente devoraram áreas de bosques antigos e florestas levando à criação extensiva de novos desertos": comentário também extraído do estudo Groasis Waterboxx® plant cocoon

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  8. "Às vezes usa-se o argumento de que não podemos transformar desertos em florestas, porque árvores não vão crescer lá. Isto, porém, não é verdade: um dia, a maioria dos desertos já foi verde e a causa real da sua existência agora é a humanidade mesma. Na Bíblia, Israel é descrito como a terra que emana leite e mel. A Mesopotâmia é a região onde a Torre de Babel foi construída e todos sabemos da impressionante riqueza naquele tempo onde agora se encontra uma região seca e pobre. Na Tunísia existe um Coliseu em EL Jem. Está agora no meio do deserto, mas na época da construção era capaz de abrigar mais de 30.000 pessoas. Portanto, naquele tempo o norte da África era rico e fértil com muita gente vivendo lá. Todos conhecemos a historia de Cartago e Egito, a um tempo ricos e prósperos, hoje empobrecidos como resultado da desertificação. Nota-se que desertos trazem pobreza e terra fértil traz prosperidade. Esta é a razão porque nós temos que restaurar a superfície da Terra e o instrumento para fazer isso é a árvore": de um documento da ONU sobre combate à desertificação.

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  9. Você pode também contatar o nosso editor de conteúdo deste blog para enviar sua opinião ou então material como vídeo ou fotos ou textos sobre este nosso debate de hoje: padinhafranca603@gmail.com

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  10. "Já na década de 90 a avaliação era que o combate ou a recuperação de desertos era insuficiente. Com isso, vários países com problemas de desertificação, especialmente na África, decidiram propor a elaboração de uma convenção sobre o assunto durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, no Rio de Janeiro, conhecida como ECO92. Uma convenção é um instrumento jurídico mais forte, pois obriga os países que a assinam a assumir uma série de compromissos, ao contrário de uma conferência, onde a adesão é voluntária. Um dos principais resultados da Rio 92 foi o início do processo de negociação para a elaboração de três convenções: a Convenção Quadro sobre Mudança Climática, a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação nos Países Afetados por Seca Grave e/ou Desertificação,(UNCCD), que entrou em vigor em 1996": documentário extraído de documento da ONU sobre desertificação.


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  11. "O Brasil passou a fazer parte desta convenção de combate à desertificação em 25 de junho de 1997 e, hoje, 191 países são Partes da Convenção. A principal obrigação desses países Partes é elaborar um Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, conhecido por PAN": idem, ibidem.


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  12. "O Brasil tem uma variedade de climas que impõe desafios proporcionais ao tamanho da nossa nação e definidos pelas diversidades de solos e altitudes ou também pelo arco de latitudes, desde o Equador até regiões meridionais. Parte do território brasileiro apresenta uma condição climática caracterizada por períodos de seca prolongada e chuvas concentradas, onde predominam os climas semiárido e subúmido seco. Ao longo dos anos, a ocupação humana e a exploração dos recursos naturais vêm impactando as regiões secas do país, provocando a degradação da terra, a perda da cobertura vegetal nativa e a redução da disponibilidade de água. A intensificação de tais processos levou crescentes frações dessas regiões à condição de áreas degradadas,o fenômeno conhecido como desertificação": comentário que nos envia o engenheiro agrônomo Willian Mattos, do Rio de Janeiro, graduado na PUC.

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