segunda-feira, 4 de setembro de 2017

TAMBÉM FORTALEZA PODERÁ TER PROBLEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: ATÉ O CASTANHÃO ESTÁ SECANDO COMO SOBRADINHO, SÃO FRANCISCO E OUTRAS ÁGUAS DO INTERIOR DO PAÍS


O maior açude do Ceará chega  ao menor volume de sua história: isso e mais o rio São Francisco (em Sobradinho também) sinaliza que estamos diante da maior seca das últimas décadas no Brasil por falta de chuvas e também de gestão governamental do ambiente e do clima também na região seca do Castanhão 


Ícone do Nordeste até o Castanhão (maior açude) está secando



Edwirges Nogueira nos informa via a Agência Brasil, que também o açude Castanhão, a maior reserva pública de águas, de usos múltiplos do Brasil, um marco no Ceará, chegou esta semana ao volume mais baixo de toda a sua história: atualmente, o reservatório mantém 4,46% de toda a sua capacidade de 6,7 bilhões de metros cúbicos (m³). Uma marca semelhante a essa só havia sido atingida em 2004, quando era recém-inaugurado e estava pegando os primeiros aportes de água. Pelos cálculos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), essa quantidade de água não deve ser suficiente para manter os usos do açude, que já estão reduzidos, por volta de janeiro de 2018. Após essa data a situação será dramática e Fortaleza por exemplo poderá ter desabastecimento de água para a sua população.É mais um sinal de muitas áreas da Caatinga, do Cerrado e do interiorzão brasileiro (até por aqui entre a Serra da Canastra e São Paulo) estão secando.

A vazão de reservatórios no São Francisco é reduzida novamente na maior seca das últimas décadas: esta avalição técnica postada no EcoDebate tem sido o alerta constante do nosso movimento da ecologia nesses últimos tempos


Na barragem de Sobradinho a vazão caiu para menos de 8% agora
 
Sumaia Villela, da Agência Brasil nos informou ontem sobre o conteúdo da matéria que é destaque na edição destes dias no site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate, algo que tem sido a luta constante nos últimos meses e anos do movimento ecológico, científico e de cidadania a que está ligado o nosso blog Folha Verde News: na maior seca da bacia hidrográfica do Rio São Francisco em quase 90 anos de medição oficial, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) reduziu agora a vazão de reservatórios do Velho Chico a partir da Usina de Xingó, entre Alagoas e Sergipe, de 600 metros cúbicos (m³) por segundo para 580 m³ por segundo. A vazão regular de Xingó era de 1.300 m³ por segundo em 2012, início da estiagem que vem se prolongando dramaticamente até agora. E esta decisão foi tomada em reunião para avaliar a operação dos reservatórios, o objetivo técnico é fazer um teste para avaliar “eventuais impactos aos usuários”, em especial para a captação de água para abastecimento da população em várias áreas do interior do país, sofrendo um visível processo de desertificação. SOS águas do Brasil.
 

A situação de falta de chuva e de gestão já muda a paisagem


Depois dessa primeira avaliação, uma nova redução para 550 m³ por segundo já está programada (a data ainda não está inteiramente definida) com base em autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), este rio é responsável por 70% da disponibilidade hídrica da região Nordeste do país e do norte de Minas Gerais. A redução pretende evitar maior prejuízo ao abastecimento de água, em especial para consumo humano, "o que já está assim previsto e já deveria estar sendo objeto duma gestão ambiental sustentável", comenta por aqui em nosso blog nosso editor de conteúdo o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha: "Não há nenhuma notícia duma iniciativa governamental nesse sentido". 


Não são o grande São Francisco, outros rios, córregos e nascentes estão secando

Abastecimento, agricultura e navegação ficam mais complicadas agora


O volume de água dos reservatórios do São Francisco vêm diminuindo sucessivamente. O maior reservatório do Nordeste, o de Sobradinho, na Bahia, por exemplo, caiu de 9,8% de volume útil no dia 1º de agosto para 7,8% na última medição disponível no sistema da Chesf. O objetivo da redução de vazão é impedir um colapso ao menos até novembro, quando começa o período chuvoso em parte da Bacia do São Francisco. Essa redução vêm ocorrendo ao longo dos anos de estiagem. No ano passado, o Rio São Francisco tinha alcançado até então a menor vazão histórica desde 1979, quando o Reservatório de Sobradinho foi inaugurado. Agora, a situação ficou mais crítica ainda. 
 

Voltou o tempo bravo da lata d'água na cabeça


Se a medida emergencial pretende garantir o abastecimento, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco aponta que existem efeitos colaterais para a vitalidade do rio e para as populações ribeirinhas. Anivaldo Miranda, do Comitê, diz que a redução é uma situação sem muitas alternativas de outra saída neste momento, mas os problemas decorrentes da liberação cada vez menor de água para o curso do rio estão muito claros. Por exemplo, na parte de abastecimento da população, a diminuição do nível do São Francisco impacta nos pontos de captação da água tanto para consumo humano como para irrigação: “Tem sido feito um acompanhamento permanente desse processo e a questão tem sido atenuada com o uso de bombas flutuantes para captação de água”,informou Miranda. Um outro impacto é o avanço do mar na foz do São Francisco, que aumenta a salinidade do rio e compromete a qualidade da água especialmente dos municípios de Piaçabuçu (em Alagoas) e Brejo Grande, em Sergipe. Anivaldo Miranda diz que não só o abastecimento fica comprometido, mas o problema passa a ser também uma questão de saúde pública. Há ainda prejuízo ainda na navegação de embarcações e na pesca artesanal: a navegação de pequeno e médio porte tem sido garantida, se bem que as travessias ficam mais longas. Na situação atual é preciso maior habilidade para se conseguir navegar, mas não houve nenhuma interrupção em grande escala, por enquanto.
 

Os últimos vaqueiros (heróis da seca) precisam também ser ouvidos


Para reverter a necessidade de sucessivas reduções de vazão e impedir os impactos colaterais, Anivaldo Miranda e outros técnicos argumentam que é necessário uma união de esforços entre entes públicos e sociedade civil para a urgente revitalização da bacia hidrográfica do São Francisco. E o pior de tudo é que o projeto nacional para essa recuperação a rigor, ainda não saiu do papel. Os técnicos já deixaram claro que é preciso urgentemente trabalhar pela recarga de aquíferos, combater à erosão,  promover a preservação de mata ciliar além de programas de melhoria da qualidade da água, sendo fundamental fazer o saneamento básico dos municípios ribeirinhos. Enfim, já existe o que é preciso ser feito num plano de gestão sustentável que ainda não existe. Além disso, é vital também paralisar de forma imediata o desmatamento de dois biomas, a Caatinga e o Cerrado, ambos cada vez mais mostrando sinais de que estão virando deserto.
 
Pode voltar a fartura com uma gestão do problema que ainda não começou


(Confira mais detalhes e mensagens na seção de comentários aqui do blog da gente) 

  
Vídeo hoje aqui no blog resume debate sobre seca e água com garotada do Sesi Franca
 
 
Fontes: Agência Brasil
             www.ecodebate.com.br 
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. A Agência Brasil hoje ainda informa que os prognósticos do período chuvoso do Ceará, que começa em fevereiro e se estende até maio. foi escasso. O volume total disponível atualmente é de 298,5 milhões de m³. Desses, 75 milhões de m³ correspondem ao chamado volume morto.O gigante cearense é um dos principais responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza, onde vive quase metade da população do estado. No entanto, hoje ele responde somente por 10% da água que chega às casas da capital. Cerca de 7 metros cúbicos por segundo (m³/s) viajam por 250 quilômetros, via Eixão das Águas, para complementar os outros 90% que são essenciais para abastecer a população, oriundos de reservatórios localizados na própria região e que hoje já estão insuficientes. Ano passado, a lógica era contrária: o Castanhão contribuía com 70% da água consumida na Grande Fortaleza.“O Castanhão é o mais emblemático dos açudes do Ceará. Ele é o maior e teve aportes muito pequenos. Há seis anos que ele não recebe quantidade suficiente de água”: comentário do diretor de planejamento da Cogerh, Ubirajara Patrício.

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  2. Em resumo, já existe o que deve ser feito numa gestão ambiental sustentável para resolver este problema dramático da Caatinga, do Cerrado, do interiorzão do país: as informações técnicas e pesquisas informam, falta fazer projetos ou tirá-los do papel e mudar esta realidade.


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  3. Em resumo, é preciso urgentemente trabalhar pela recarga de aquíferos, combater à erosão, promover a preservação de mata ciliar além de programas de melhoria da qualidade da água, sendo fundamental fazer o saneamento básico dos municípios ribeirinhos. Além disso, é vital também paralisar de forma imediata o desmatamento de dois biomas, a Caatinga e o Cerrado, ambos cada vez mais mostrando sinais de que estão virando deserto.


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  4. Logo mais, aqui nesta seção, mais dados e outras informações ou mensagens: você pode por aqui direto a sua mensagem ou então enviá-la para o e-mail da redação deste blog navepad@netsite.com.br


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  6. "Nossos políticos são secos de coração e assim precisa mudar a estrutura de administração pública mas também o tipo de homens que comandam este país na várias regiões": comentário de Sueli Álvares de Sousa, Psicóloga, que atua na Grande São Paulo.


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  7. "O nordeste paulista está com uma realidade no clima tipo nordestina, muitas regiões se parecem com a caatinga, realmente, está havendo um crescente processo de desertificação": comentário de Geraldo Morais, geólogo pela Unesp e que atua na região entre Barretos (SP) e Uberaba (MG).


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  8. "O caos já está anunciado e os técnicos já indicam as soluções, faltam só agora providências de gestão ambiental sustentável dos governos e as chuvas, cada vez mais escassas": comentário de Tereza Ferreira dos Santos, de Campinas, professora universitária.

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