quarta-feira, 20 de setembro de 2017

TRUMP CRITICA BUROCRACIA DA ONU MAS NÃO CITA NEM FAZ AUTOCRÍTICA AO RETROCESSO CLIMÁTICO DOS ESTADOS UNIDOS NO CASO DO ACORDO DO CLIMA (SEU MAIOR VEXAME)


Mais de 128 países (os States também) se comprometem com reformas para uma ONU do século 21 mas este avanço só se efetivará com o cumprimento do Acordo do Clima que Trump renegou (mas terá que aceitar e voltar atrás segundo os especialistas, indo de volta ao futuro, veja aqui como está na real esta situação)

 

 

A posição de Trump contra o Acordo do Clima é um vexame internacional
Donald Trump mostra uma imagem agressiva e até retrógrada mas não tem nada de louco, faz isso como uma estratégia de ganhar mídia, alguns apoios internos e para tentar levar alguma vantagem, na verdade, ele não me parece um estadista e sim um cara esperto tentando defender os interesses da indústria petrolífera, do american way of life nas suas performances políticas até irresponsáveis, agora também na ONU", comentou a ecologista Monique Gerardy em manifestação em Genebra, junto à sede das Nações Unidas, contra o nacionalismo e o espírito bélico dos Presidente dos Estados Unidos, a declaração foi captada pela agência de notícias France Press. Por outro lado e num clima bem mais positivo, se comprometendo a tornar as Nações Unidas uma organização mais forte e eficiente, o secretário-geral, António Guterres, participou agora de uma reunião de alto nível sobre a reforma desta importante organização global, contestada no discurso de Trump, que no entanto, participou e até apoiou esta iniciativa. Para não ficar incoerente com as suas bravatas, ele argumentou que a Organização das Nações Unidas foram fundadas sob "objetivos nobres", mas que "nos últimos anos não alcançou seu pleno potencial". 
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fala sobre a reforma da organização durante encontro na sede em Nova Iorque ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e a chefe de gabinete de Guterres, a brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti (à esquerda). Foto: ONU/Mark Garten
Donald Trump "tentou se comportar"  na reunião para dimensionar a "nova ONU"


Nesta reunião presidida pelo secretário geral da ONU, Antônio Gueterres, registrada nesta foto aí em cima, pouco divulgada na grande mídia, além de Trump, aparece à esquerda a chefe de gabinete Guterres, que é brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, uma das organizadoras deste evento paralelo à Assembleia Geral, importante para todos os países.
"Alguém me perguntou recentemente o que é que me tira o sono. E a resposta é simples: burocracia. Estruturas fragmentadas, procedimentos bizantinos e regulamentos intermináveis. Alguém com o objetivo de prejudicar a ONU não teria conseguido encontrar melhor forma do que impor algumas das regras que nós próprios criamos”, reconheceu Guterres numa autocrítica inteligente e motivadora de mudanças e avanços na instituição. O secretário geral se referiu ao estatuto dos Estados Unidos como maior contribuinte do orçamento da ONU para dizer que “a reforma é também para todos os contribuintes que pagam pelo trabalho crucial que fazemos”. Porém, Donald Trump não mostrou a mesma grandeza de posicionamento, ao não fazer nenhuma autocrítica à sua posição retrógrada de retirada americana do Acordo do Clima de Paris, compromisso global que define metas conjuntas para amenizar os efeitos das mudanças climáticas, assinada oficialmente pelos Estados Unidos como nação. Ao tentar justificar este posicionamento muito criticado de retirar os Estados Unidos do tratado sobre o clima, Trump deixou a entender que a retirada do país implica numa luta por uma revisão dos termos do acordo e a busca de um formato que seja, na visão de Trump ou dos seus interesses, mais justo para os americanos. Enfim, parece um jogador de cartas trapaceando ou um negociador de mercado mas não tem nada a ver com a posição dum estadista, que deveria respeitar o acordo assinado oficialmente pelos Estados Unidos e também a sua importância para o reequilíbrio do clima e do ambiente, que se mostram cada vez mais caóticos, assim como a política Trump. 

Donald Trump parece hoje uma caricatura de si mesmo

A retirada dos States do Acordo de Paris pelo presidente Donald Trump não terá na prática efeito real: o tratado climático será renegociado diretamente com empresas e com os governadores norteamericanos, uma vez que é um compromisso assumido oficialmente pelos Estados Unidos junto a outros 195 países. A União Europeia já defende claramente  essa perspectiva ao insistir em que o acordo climático é definitivo e que, numa eventual ausência do presidente americano,  a UE irá lidar diretamente com empresários e governadores para implementar os objetivos do texto, um compromisso internacional. Um dos comentários mais contundentes nesse sentido foi feito pelo comissário europeu para a ação climática, o espanhol Miguel Arias Cañete: "A luta contra a mudança climática não pode depender da opinião pessoal de um presidente de um país ou outro. Quando uma nação assina um tratado internacional, precisa e deverá  cumprir com suas obrigações", afirmou Cañete, terminando a sua fala num tom de ironia: "Tenho certeza de que o presidente Trump não leu os artigos deste acordo. Não há nada para ser renegociado". Até alguns membros de alto escalão da burocracia europeia já foram também ouvidos em Bruxelas, em matéria da agência de notícias Reuters, deixando claro que vão debater com as grandes empresas americanas como serão cumpridas as metas do Acordo de Paris. Tanto que megaempresas como Facebook, Apple, Ford e Microsoft criticaram a decisão de Trump, em demonstração de seu isolamento nacional e global. Governos europeus também discordaram publicamente dessa medida, entre eles o alemão e o francês, que são grandes líderes na atualidade. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que Trump "não pode e não vai conseguir impedir todos aqueles entre nós que se sentem obrigados a proteger o planeta".  A França, por sua vez, afirmou que vai redobrar seus esforços para limitar as emissões de carbono. Por sinal, os Estados Unidos respondem por quase 20% de todas as emissões mundiais de carbono, um dos países mais poluidores do mundo, terá que voltar atrás no retrocesso de Donald Trump que já virou um vexame. A declaração foi comentada pelo ambientalista francês Nicolas Hulot, que dirige o Ministério do Ambiente: "O acordo não está morto. Pelo contrário. A França, em vez de reduzir suas ambições, vai revisá-las para cima e incentivar diversos outros países". O presidente francês, Emmanuel Macron, já havia reagido ao anúncio de Trump em uma mensagem gravada em inglês, dizendo que o governo norteamericano cometera "um erro para os interesses de seu próprio país, do seu povo e do futuro do planeta. Não cometam um erro com o clima. Não há plano B porque não há planeta B", disse Macron, que circulou uma campanha nas redes sociais com o lema "Make Our Planet Great Again", ou "torne nosso planeta grande outra vez", uma referência crítica ao slogan de Trump, "Make America Great Again".
Outros líderes como Arnold Shwarzenegger crescem em cima do vexame Trump

Há também uma questão legal e formal. A intenção de Donald Trump de sair do Acordo do Clima só poderá se concretizar somente em 2020, já que, até lá, por força do próprio acordo, ninguém pode sair. O único documento necessário para a exclusão é uma carta, mas ela só pode ser enviada a partir de 4 de novembro de 2019 (três anos após a ratificação do acordo). Os States só poderão efetivamente sair do acordo um ano depois do pedido, ou seja, em 4 de novembro de 2020, um dia após a próxima eleição presidencial americana. O último e mais agressivo movimento para se livrar dos compromissos climáticos, diz Márcio Astrani, coordenador de políticas públicas do Greenpeace, seria a saída da Convenção-Quadro da ONU para Mudanças Climáticas. "Seria uma coisa extremamente radical, porque com isso os americanos ficariam também de fora de toda e qualquer discussão internacional e o processo levaria pelo menos um ano". Enfim, não está fora de propósito a classificação de vexame o retrocesso ambiental de Donald Trump. Nem ele mesmo foi capaz de defender esta posição agora na Assembléia Geral da ONU. Tudo não passará de um pesadelo duma noite de verão que não virou tempestade. 


Megalomania de Trump não funciona nem dentro de sua casa (os Estados Unidos)


Carlos Nobre, pesquisador da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, diz que a saída dos States tem um efeito somente simbólico: "As emissões americanas vão continuar a ser reduzidas. Não na mesma velocidade que poderiam ser. Não é uma coisa que está na dependência só da posição pessoal de Trump". Segundo o pesquisador, o que deve haver nos Estados Unidos é uma diminuição nos investimentos na pesquisa para baratear o custo de energias renováveis. A decisão de Donald Trump não mata o acordo e nem vai conseguir ressuscitar uma retomada do carvão ou de outros fósseis. Além do mais, países como China, Japão, também a UE não vão perder essa oportunidade de assumir esse enorme vácuo que os americanos estão deixando com relação a tecnologias limpas", diz ainda Carlos Nobre. Além de vexame internacional, o retrocesso ambiental de Trump é um tiro no próprio pé e poderá fazer os Estados Unidos perder muito dinheiro. Ou seja, a luta de Trump contra o acordo do clima e do ambiente já nasceu na prática morta, serve apenas para aterrorizar, bem ao estilo do atual presidente dos States. 
Fontes: France Press - Reuters
             www.nacoesunidas.org
             www.brasilagro.com.br
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Já recebemos aqui alguns comentários e logo mais estaremos mais informações e mensagens sobre esta situação que podemos resumir como o vexame Trump.

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  2. Logo mais então, venha conferir, aguarde esta nossa próxima edição. Você desde já pode participar deste debate, coloque aqui direto a sua mensagem ou envie para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br

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  3. Você também pode enviar material (como vídeos, fotos, charges, informações ou comentários) diretamente para nosso editor de conteúdo através do e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Fico menos aterrorizado ao me informar aqui sobre o fracasso da tentativa de retrocesso ambiental e climático de Donald Trump, espero que realmente venha a vigorar o acordo assinado por 195 países, inclusive os Estados Unidos": comentário de Jorge Américo, economista e empresário na área de tecnologia em São Paulo (SP).

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  5. "As atitudes racistas, belicistas e antiecologia já colocam Donald Trump no lado negro da história e só faz aumentar o ódio em alguns outros países aos Estados Unidos, onde o presidente é apoiado por uma minoria mas fala e se posiciona em nome de todos os americanos": comentário de Edvar dos Santos Moreira, que atua na Unesp e nos enviou uma série de notícias críticas desta situação do site Correio do Povo.

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  6. "Além do retrocesso nos setores de ambiente e do clima, as críticas mais frequentes contra Trump tem a ver com a sua intolerância e o ataque a certos grupos étnicos": comentário de David Rothkopf,The Washington Post [17/09/2017].

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  7. "Modelo caminha na passarela, com um busto rachado representando o presidente dos EUA, Donald Trump, ao fundo, durante a apresentação da coleção Primavera / Verão 2018 de Ana Locking, na Semana da Moda de Madri, no dia 16 de setembro de 2017": é a notícia que nos envia Gabriel Bouys, da AFP.

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  8. "Nas últimas semanas, visitei a América Latina, o Oriente Médio e a África. Em cada um deles, a conversa inevitavelmente se volta para e contra o presidente Donald Trump – mas não do modo que se imagina. A pergunta mais comum é: “Quanto tempo você acha que ele vai ficar no cargo?”: comentário de Edvar dos Santos, Unesp, em uma das reportagens que nos enviou do site Correio do Povo.

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