sábado, 14 de outubro de 2017

ESTÁ PARA CHOVER ATÉ NO NORTE DE MINAS MAS O RIO SÃO FRANCISCO EM TODO CURSO E ATÉ NA SUA FOZ SOFRENDO UMA AGONIA

VELHO CHICO MORRENDO - Após 13 dias de fiscalização em 10 regiões do São Francisco 250 técnicos constatam que desmatamento, poluição, mal uso e falta de gestão ambiental colocando o rio ícone do Brasil no estado mais crítico em toda história da ecologia no Brasil




SOS rio ícone do Brasil antes que o Velho Chico morra

Esta equipe de técnicos da Fiscalização Preventiva Integrada do São Francisco (FPI/SE) constatou que a situação deste rio que já era muito grave, chegou a um estado que é mais do que crítico. Por exemplo, as zonas de Manguezal e o que resta da Mata Atlântica que protegem as margens estão sendo intensamente devastados, o leito do rio chega a ser usado como viveiro de criação de camarões e não é mais navegável em mutios trechos por causa da baixa profundidade e a mais baixa vazão de água dos últimos tempos. 

A transposição e o próprio rio São Francisco no abandono governamental


Transposição abandonada e revitalização do rio também não foi feita



Entre 24 de setembro e 6 de outubro foram visitados os municípios de Propriá, Telha, Amparo do São Francisco, Santana do São Francisco, Neópolis, Pacatuba, Ilha das Flores, Brejo Grande, Japaratuba e Pirambu, em Sergipe. Apenas três municípios fiscalizados têm rede de esgoto instalada e mesmo nestes é comum encontrar pontos de despejo de esgoto no rio. Em todas as cidades vistoriadas foram encontrados lixões irregulares, que contaminam o solo e os cursos de água que seguem para o São Francisco. Os ataques à fauna silvestre também continuam comuns. A Equipe Fauna da FPI resgatou 1480 animais em apreensões e entregas voluntárias, inclusive pássaros em risco de extinção. Já a Equipe Aquática retirou 3.140 metros de cercas irregulares nas margens do rio e destruiu 225 armadilhas ilegais de camarão e peixe. A devastação da região da foz do rio São Francisco foi verificada também por meio de sobrevoos de helicóptero: "As vistorias aéreas revelaram um quadro desolador de desmatamento do Manguezal e das margens do Rio São Francisco. A ausência governamental tem propiciado muitos ilícitos ambientais, grilagem das terras da União e violência contra as comunidades tradicionais do Velho Chico", destacou a Procuradora da República e coordenadora da FPI Lívia Nascimento Tinôco.


O São Francisco já é hoje um fantasma do rio que era


A Equipe Aquicultura da FPI embargou 18 criatórios de camarões, em quatro municípios da região do Baixo São Francisco. Além dos embargos, foram emitidas 45 notificações em 27 áreas fiscalizadas nos municípios de Brejo Grande, Neópolis, Pacatuba e Telha e emitidas multas no valor de R$ 502 mil. O desmatamento de Manguezal para instalação de viveiros de camarão também foi um dos principais problemas localizados pela Equipe Flora. A derrubada de remanescentes da Mata Atlântica e a construção irregular na margens do Velho Chico foram outros problemas graves identificados pela equipe, que visitou 40 áreas para fiscalização, emitiu 4 notificações e 5 termos circunstanciados de ocorrência (TCO). O tratamento do esgoto e a destinação adequada do lixo nos municípios é fundamental para a preservação do rio, mas a realidade encontrada pela fiscalização está bem distante da ideal: "Os impactos da falta de saneamento básico nos municípios visitados pela FPI são grandes. A quantidade de esgoto despejado diretamente no rio altera todo o ecossistema. A água se torna imprópria para consumo humano, os peixes não sobrevivem e os pescadores perdem sua renda", destaca a Promotora de Justiça e uma das coordenadoras  da FPI, Allana Raquel Monteiro.


O ecoturismo nos cannions por exemplo poderia ser uma das soluções



Além de abates clandestinos e do desmatamento das margens ou da poluição do rio, outras ameaças vão minando a saúde da Bacia Hidrográfica do São Francisco. O uso indiscriminado de agrotóxicos na região afeta diretamente a qualidade da água e a saúde da população. A Equipe Agrotóxicos da FPI recolheu 1.702 litros e 2,8 quilos de produto irregular nos pontos fiscalizados. Os principais problemas encontrados foram a venda de agrotóxicos sem a receita agronômica e uso de agrotóxicos não destinados à cultura em que estavam sendo aplicados, além da ausência de equipamento de proteção pelos trabalhadores nas lavouras. No caso da mineração, é o desmatamento e poluição dos corpos de água por produtos químicos e outros resíduos da atividade que ameaçam demais o meio ambiente na região. A Equipe Mineração visitou 62 pontos de extração de minérios em de Neópolis, Propriá, Pirambu, Pacatuba, Santana do São Francisco, Telha, Amparo do São Francisco e Japaratuba. Foram emitidos 30 autos de infração, 27 autos de notificação e um de interdição nas mineradoras da região que extraem, principalmente, areia e argila, havendo ainda casos ao longo do São Francisco e seus afluentes de garimpos clandestinos de ouro e de diamante, altamente poluentes. 

Domingos Montagner, símbolo da morte do próprio rio São Francisco?

Ecologistas, pescadores e cientistas lutam ainda pelo rio e seus afluentes


(Mais dados deste relatório importantíssimo e histórico feito por 250 técnicos nesta Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) pelo Rio São Francisco você pode conferir na seção de comentários aqui no nosso blog da ecologia e da cidadania) 



Garimpos clandestinos entre os problemas do Velho Chico



Fontes: JB - Terra - FPI/SE
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Já recebemos aqui na redação do blog da ecologia mensagens e temos mais dados do relatório da FPI para publicar, logo mais, nova edição e atualização nesta seção de comentários, aguarde e confira as informações, triste demais, entre as mais tristes da história da ecologia no Brasil.

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  2. Você pode por aqui direto a sua opinião sobre esta matéria e situação do Velho Chico em debate, se preferir ou precisar, envie sua mensagem para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br

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  3. Você pode também participar desta luta enviando material como vídeo, fotos, informações ou comentários e mensagens diretamente para o nosso editor de conteúdo deste blog, envie pro e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Vejoa esta situação do Velho Chico morrendo como um dos maiores escândalos ambientais do planeta e qual será a punição dos responsáveis?": comentário de Ernesto Santos,de Juiz de Fora (MG), advogado que nos manda reportagem sobre morte do São Francisco e seus afluentes feita pelo Estado de Minas, jornal e site em. Agradecemos e vamos divulgar também este alerta.

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  5. Aqui um resumo do relatório doa FPI em números para você dimensionar o problema e pensar numa solução sustentável.
    10 cidades
    13 dias de fiscalização
    30 instituições
    250 fiscais e técnicos
    350 pontos fiscalizados (número total de alvos)
    500 mil reais em multas aplicadas
    1552 animais resgatados
    1428 Animais devolvidos à natureza
    124 animais encaminhados a centros de reabilitação
    1702 litros de agrotóxicos apreendidos
    3140 metros de cercas irregulares retirados
    4 novas cavernas descobertas
    3 novos sítios arqueológicos registrados
    2 Termos de Ajustamento de Conduta assinados durante a operação
    7 comunidades quilombolas visitadas
    8 pontos de abate clandestino interditados

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  6. Duas equipes da FPI se dedicaram a fiscalizar o saneamento básico das cidades. Apenas o município de Japaratuba destina seus resíduos sólidos a um aterro sanitário, mas a equipe de fiscais encontrou um lixão clandestino na cidade que recebe, inclusive, lixo hospitalar. Já em relação ao tratamento de esgoto, somente Propriá, Pirambu e Brejo Grande possuem rede e tratamento de efluentes mas, mesmo nessas cidades, é fácil encontrar pontos de despejo de esgoto direto no rio revela o relatório.

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  7. Ainda durante a operação, após fiscalização no município de Brejo Grande, foi assinado um termo de ajustamento de conduta (TAC) entre o município, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e o MPF, para regularizar o abastecimento na cidade e realizar melhorias na estação de tratamento de água do município. Outro problema comum, também diretamente ligado à gestão municipal, são os abates clandestinos, ainda frequentes na região. A Equipe Abate fiscalizou três queijarias, um laticínio, um frigorífico, um mercado de peixe e outro de carne, um matadouro municipal, dez pocilgas, duas salgadeiras, um ponto de venda de carnes e oito locais de abate clandestino. A ação resultou no fechamento de duas queijarias, no confisco de oito carcaças de bois abatidas em local irregular e em um TAC para regularização do comércio de Pescados em Propriá. (Dados da FPI).

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  8. Outras ameaças ao Velho Chico segundo a FPI
    Além do desmatamento das margens e da poluição do rio, outras ameaças vão minando a saúde da Bacia Hidrográfica do São Francisco. O uso indiscriminado de agrotóxicos na região afeta diretamente a qualidade da água e a saúde da população. A Equipe Agrotóxicos da FPI recolheu 1.702 litros e 2,8 quilos de produto irregular nos pontos fiscalizados. Os principais problemas encontrados foram a venda de agrotóxicos sem a receita agronômica e uso de agrotóxicos não destinados à cultura em que estavam sendo aplicados, além da ausência de equipamento de proteção pelos trabalhadores nas lavouras. No caso da Mineração, é o desmatamento e poluição dos corpos de água por produtos químicos e outros resíduos da atividade que ameaçam o meio ambiente na região. A Equipe Mineração visitou 62 pontos de extração de minérios em de Neópolis, Propriá, Pirambu, Pacatuba, Santana do São Francisco, Telha, Amparo do São Francisco e Japaratuba. Foram emitidos 30 autos de infração, 27 autos de notificação e um de interdição nas mineradoras da região que extraem, principalmente, areia e argila.

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  9. Cultura viva - A preservação do Patrimônio Histórico e Cultural e das comunidades tradicionais do Baixo São Francisco também foi alvo desta FPI. A Equipe Patrimônio Cultural e Comunidades Tradicionais visitou oito comunidades quilombolas onde foram aplicados questionários, atualização de cadastros e relatórios sobre a situação geral das comunidades. Também foram visitados imóveis de interesse cultural, tais como bens tombados pelo governo do estado e alguns prédios já com características arquitetônicas alteradas (descaracterizados) em três municípios.
    A proteção do Patrimônio Histórico também foi trabalhada pela Equipes Arqueologia/Espeleologia. A equipe localizou quatro novas cavernas e dois sítios arqueológicos terrestres. Os arqueólogos subaquáticos da equipe, que mergulharam e localizaram dois naufrágios de aproximadamente 200 anos que não estavam registrados nos cadastros nacionais e um sítio arqueológico terrestre, de um antigo atracadouro na cidade de Neópolis.

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