quinta-feira, 19 de outubro de 2017

ÍNDIOS QUEREM QUE O MEC MELHORE A QUALIDADE DE EDUCAÇÃO NAS ALDEIAS (NAS TRIBOS ESTÁ PIOR AINDA QUE AQUI NAS CIDADES)


Lideranças indígenas reivindicam mais recursos para educação nas comunidades que eles enxergam como um direito de cidadania de todos no Brasil que ainda não é levado em conta pela autoridades públicas





Wendel Sousa e Juliana Andrade, da Agência Brasil, nos informam que representantes de etnias indígenas de dez regiões brasileiras acabam de entregar hoje ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério Público Federal (MPF) um documento em que defendem a aplicação de recursos para melhorar a qualidade da educação especial para os povos indígenas (assim como para crianças e jovens da rede pública nas cidades, ela ainda é muito falha). Este documento foi discutido no 3° Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, que está sendo realizado no Centro Comunitário Athos Bulcão, na Universidade de Brasília (UnB). O evento contou com a participação de 450 pessoas entre representantes e líderes de 18 etnias, algo que torna a reivindicação mais importante. A reivindicação é representativa, mas a pergunta que ficou no ar: ela será ouvida pelas autoridades?

Brasília - O índio Anastácio Peralta - Guarani Kaiowá - Mato Grosso do Sul, participa do 3 Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (José Cruz/Agência Brasil)
Um dos líderes indígenas historiou os erros da educação nas tribos






“O país sempre teve dificuldades de oferecer políticas públicas para o índio, não somente na área da educação”, critica o índio Anastácio Peralta









Esta crítica aí foi feita pelo coordenador da organização comunitária indígena Aty Guasu, Anastácio Peralta, do Mato Grosso do Sul e da etnia Guarani Kaiowá. Segundo ele, só na cidade de Dourados  cerca de 600 crianças e adolescentes indígenas estão sem escola:"Estamos lutando mais uma vez, agora junto ao Ministério Público, prefeituras e lideranças para que tenhamos professores e salas de aula para todos jovens e crianças das tribos, isso é o principal deste encontro aqui em Brasília". Aém da reivindicação de investimentos na educação nas aldeias, outro assunto abordado foi a migração de índios para a cidade a fim de cursar universidade. “Para que nosso povo possa vir até a cidade para fazer um curso de nível superior, é preciso que haja talvez um esquema de transporte ou então uma estrutura que receba os índios estudantes nas cidades, além de algum recursos para manter esses alunos no tempo de estudo fora da sua aldeia", ressaltou Anastácio Peralta Kaiowá.



Uma das mesas do debate  do Fórum de Educação Indígena


Promover o debate e estimular a participação da população indígena no processo de concepção, implementação e avaliação das políticas nacional, estaduais e municipais de educação voltadas às comunidades fazem parte também dos objetivos doeste fórum de muito valor para mudar e avançar a própria condição de vida dos indígenas no Brasil, algo que tem preocupado também a ONU e a Anistia Internacional. "Nos últimos anos estamos vivendo uma situação particular que é muito pouco debate com os cidadãos e cidadãs em geral e menos ainda com as comunidades dos índios, as decisões são tomadas, praticamente na esfera política, os políticos precisam respeitar os direitos da cidadania brasileira, também dos povos indígenas", alertou o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Gersem Baniwa, especialista em educação indígena. Estava presente e informando a situação do seu povo também o educador Xavante Gaspar Waratzere, formado em História pela Universidade do Mato Grosso (UNT), também com uma visão bem crítica da realidade educacional no país, mais ainda nas aldeias em todas as regiões.


No total o fórum mobilizou 400 índios de 100 povos da floresta

A educação é o canal pro índio avançar mais a cidadaniano Brasil


Fontes: Agência Brasil
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. A seguir alguns dos temas e assuntos levantados nesse Fórum da Educação Indígena nesta semana em Brasília, um roteiro para avançar a cidadania, uma luta que não começou de hoje mas que ainda não é apoiada nem pelas autoridades nem por alguns setores da população.

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  2. "Se trata dum direito constitucional, a educação do índio, ela não deve ser decidida por gente ligada ao ruralismo, que ainda nunca avançará": comentário do economista Antônio Sérgio, que observou um dos dias do evento que está se encerrando hoje em Brasília.

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  3. Desde o primeiro fórum de educação escolar indígena de 11 estados brasileiros e 33 povos indígenas reunidos anos atrás no I Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, em Goiás, já havia a preocupação com o futuro das políticas de educação nas aldeias e tribos, há uma desaprovação para com as reformas administrativas que atingem diretamente a estrutura administrativa do Ministério da Educação, precarizando ainda mais a educação que os povos da floresta podem ter acesso.

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  4. "Nossa preocupação se soma às lutas de nossos mestres tradicionais e caciques pelos nossos territórios, direito à saúde e à educação diferenciada. Levamos ao conhecimento das autoridades as milhares de crianças indígenas que sequer possuem um prédio para chamá-lo de escola. Falamos em nome das crianças que não podem deslocar-se às escolas porque o transporte escolar não as atende nas áreas de difícil acesso e áreas de retomada, ainda não homologadas pelo governo brasileiro. Chamamos a atenção para a precariedade, especialmente das escolas de nível médio que são urbanizadas e colonizadoras, não atendendo às necessidades e expectativas de nossas comunidades. Os problemas são variados e há tempos exigem uma solução definitiva": comentário de Ibrahim Kayapó, do Pará, presente no evento agora.

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  7. Para ilustrar as críticas foram citados fatos como o assassinato por pistoleiros dos professores indígenas Rolindo Vera e Genivaldo Vera quando acompanhavam seus alunos no retorno à aldeia Ypo’i, ainda em 2009, no município de Paranhos, MS. Até hoje o caso não foi adiante.

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  8. "As falhas governamentais têm sido um atentado à ética, um desrespeito à autonomia dos povos indígenas, pois desconsidera a consulta prévia, livre e informada, como prevê a convenção 169 da OIT, além de atentar contra o direito constitucional a uma educação diferenciada, intercultural, multilíngue e comunitária": comentário de Marcos Coimbra, especialista em educação de povos da floresta que assessora a ONU.

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