segunda-feira, 9 de outubro de 2017

INSTITUTO DE PESQUISA AMBIENTAL DA AMAZÔNIA CONSTATA QUE A FLORESTA ESTÁ PERDENDO A SUA FORÇA DE RECUPERAR A ECOLOGIA


Estudo revela que florestas tropicais perdem cada vez mais o poder de controlar as emissões de carbono devido ao aumento da degradação da natureza no Brasil

 
Woods Hole Research Center e IPAM fazem alerta máximo


A crescente degradação ambiental tem feito com que florestas tropicais não consigam mais contrabalançar as emissões de carbono. Apesar de armazenarem grandes quantidades de carbono, as perdas têm sido maiores do que os ganhos e nesse embalo de destruição da ecologia natural as florestas tropicais estão emitindo 861 milhões de toneladas de carbono e só conseguem absorver 436 milhões, o que representa cerca de 425 milhões a mais de toneladas líquidas de carbono na atmosfera. Estes dados são parte da conclusão feita por  pesquisadores do Woods Hole Research Center, parceiro do IPAM e da Universidade de Boston nestes estudos que são um alerta do movimento ecológico e científico de maior alcance feito até hoje sobre os efeitos das agressões ambientais também na Amazônia. 
 


Estudo revela que florestas tropicais estão perdendo carbono
Instituto do Amazonas e Universidade de Boston apoiaram estes estudos alarmantes


O megalerta evidencia a urgência de pararmos os processos de degradação e alcançarmos o desmatamento zero na Amazônia. Os autores da pesquisa, que também criaram um produto de sensoriamento remoto para a medição de emissões tanto pelo desmatamento quanto pela degradação, lembram que a América Latina é responsável por 60% das emissões contabilizadas: "As florestas tropicais atuam como uma grande poupança de carbono.  Mas  a degradação florestal e o desmatamento acabam com esse ganho", comentou Paulo Brando, pesquisador do IPAM.  "Se o Brasil e outros países parassem de degradar e derrubar florestas, a assimilação de carbono seria gigantesca, trazendo a balança para um equilíbrio positivo, reequlibrando o meio ambiente". 



Continua um incêndio monstro neste momento no Parque Nacional do Xingu

Os resultados alarmantes são fruto da análise de 12 anos de informações de Satélites com pesquisa de campo. É a primeira vez que um estudo com esse nível de detalhamento é publicado, especialmente ao identificar os níveis de degradação interno das florestas, muitas vezes escondido por uma superfície supostamente preservada. Este processo, normalmente causado por incêndios, extração de madeira ou secas prolongadas, é responsável por cerca de 70% das emissões, contra 30% do desmatamento. Uma dimensão deste problema que era até então desconhecida: "Isso mostra que não podemos nos acomodar. A floresta não está fazendo o que se imaginava que ela fazia. O volume de oxigenação da floresta não é mais suficiente para compensar as emissões de carbono", advertiu o pesquisador Alessandro Baccini, um dos autores do estudo ao ser entrevistado pelo jornal The Guardian: "A saída é restaurar urgentemente as áreas degradadas de todas as florestas". 

Uma das conclusões: a ecologia das florestas é essencial para a própria vida


2017 tem recorde de incêndios - Nesse contexto, a realidade é preocupante,  o Brasil já registrou, em 2017, mais de 204 mil focos de incêndio, quase metade deles (49%) na floresta amazônica. Muito próximo do recorde de 270 mil focos que foram registrados em 2004. Em 90% dos casos os incêndios começam por ação humana e interesse dos que exploram os recursos naturais. Os Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (um sistema de monitoramento de queimadas respeitado no mundo) mostram dezenas de unidades de conservação afetadas ou destruídas pelo fogo. O Parque Nacional do Araguaia acaba de perder 320 mil hectares, área duas vezes maior que a cidade de São Paulo e mais da metade da reserva, que tem 555 mil hectares de Cerrado. O Parque Nacional do Xingu, também seriamente afetado, está agora em chamas há mais de 30 dias.

Queimadas no Xingu e no Cerrado aumentaram 58% informa site Uol

Estudos realizados na Fazenda Tanguro, no Mato Grosso, por pesquisadores do IPAM, revelam que se uma seca como a de 2010 ocorrer em meados do século, entre 2040 e 2069, cerca de 550.000 km2, uma área maior que a França, estará vulnerável a incêndios florestais intensos, destruindo chance de recuperação ambiental em biomas como Cerrado e Floresta Amazônica. Um outro estudo mostrou que mudanças no uso da terra, juntamente com eventos climáticos extremos, tornam as florestas tropicais úmidas mais inflamáveis. Estes incêndios podem, no longo prazo, convertê-las em savanas derivadas, florestas degradadas pela ação humana, o que contribui para um aumento ainda maior da emissão de carbono. O experimento aconteceu em uma área de 150 hectares na Tanguro dividida em: queimada anualmente entre 2004 e 2010 (exceto 2008), queimada trienalmente e área não queimada que serviu como controle. As conclusões mais as mais dramáticas possíveis, afirmam os cientistas. "Diante deste cenário, fica ainda mais grave a falta duma gestão ambiental governamental sustentável no Brasil e em toda a América Latina, as autoridades só se preocupam com política e se esquecem que o agravamento destas agressões e desequilíbrios podem levar ao caos um país", comenta por aqui no blog do movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News, o editor de conteúdo ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, que considera ainda esta situação como de extrema violência contra a vida.  

Centenas de espécies da fauna e da flora também estão sendo sacrificadas

Um trecho do Rio Xingu que ainda é um oásis naquela região


Fontes: IPAM - Woods Hole Research Center - Universidade de Boston
             www.ecodebate.com.br
             www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

  1. Mais tarde estaremos atualizando informações e colocando aqui comentários ou mensagens, aguarde nossa próxima edição desta seção e confira para avançar a luta para a recuperação da ecologia das florestas no Brasil e América Latina.

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  4. "Esta situação extrema e em Brasília e na grande mídia parece que não está acontecendo nada no país e no continente em relação às últimas florestas tropicais do mundo, essenciais para a vida de todos nós": comentário de Pedro Barros, engenheiro agrônomo pela USP, atuando em BH (MG).

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  5. "Interesses políticos predominam e grandes lucros dos ruralistas parecem ser o único objetivo do Brasil no momento e aí vem este estudo do maior alcance, fazendo este alerta": comentário de Helena Santos, estudante de Biologia na UFRJ.

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  6. O Ibama (Instituto Chico Mendes) informou na Agência Brasil que os incêndios que estão destruindo o Parque Nacional do Xingu e que continuam ainda, podem ser criminosos.

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  7. "Um absurdo muito grande o Brasil destruir a sua principal riqueza e força internacional": comentário de Júlia Luíza Mendes, advogada de São Paulo e militante da OAB.

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