segunda-feira, 2 de outubro de 2017

IPÊ (INSTITUTO DE PESQUISAS ECOLÓGICAS) É PREMIADO E RESSALTAMOS AQUI HOJE TAMBÉM O VALOR DA IMAGEM PARA A DEFESA DA FAUNA E DA ECOLOGIA

Duas boas notícias numa só matéria aqui: a premiação do IPÊ e um dos trabalhos de ponta deste Instituto de Pesquisas Ecológicas: as câmeras escondidas para pesquisadores estudarem a fauna brasileira que ainda sobrevive



A luta pela fauna e pela ecologia que sobrevive no Brasil

A presidente do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas - Suzana Pádua é a mais nova vencedora do Visionaris, Prêmio UBS ao Empreendedor Social. Esta premiação foi criada para apoiar o trabalho de empreendedores sociais em geral que se destacam na sua atividade ou ativismo: o tema deste ano foi Construindo alianças de impacto, "identificando pessoas ou entidades que tiveram êxito em seus   esforços de colaboração multissetoriais, maximizando assim o impacto de suas iniciativas". Em sua nona edição, agora em 2017, o prêmio teve quatro mulheres finalistas, com trabalhos sociais e ambientais de destaque no Brasil. Além de Suzana Pádua do IPÊ, Claudia Werneck, da Escola de Gente, Comunicação em Inclusão, Ana Moser, do Instituto Esporte e Priscila Fonseca, do Todos Pela Educação, também foram premiadas. Ao todo, 63 projetos foram inscritos e analisados. No caso deste instituto ecológico, se contou a história de criação do IPÊ, sua dedicação ao trabalho de educação ambiental para a conservação da biodiversidade brasileira e ainda da criação da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, ampliando o conhecimento sobre este tema, vital hoje para o Brasil. Como resultado do projeto, já foi alcançada a marca de 2,6 milhões de árvores plantadas na Mata Atlântica, 6 mil aprendizes capacitados na escola, muitas espécies estão mais protegidas como o Mico-leão-preto e a Anta brasileira. Os trabalhos do instituto alcançaram mais de 10 mil pessoas e beneficiaram 200 famílias entre 2016 e 2017. Tudo isso, conquistado por meio de uma ação em equipe e parceiros de vários setores: empresariais, governamentais e lideranças da sociedade civil. A gente aqui do blog do movimento ecológico, científico e de cidadania (Folha Verde News) cumprimenta o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo IPÊ e mostramos a seguir um dos projetos deste instituto, confira.


Suzana Pádua preside o Instituto de Pesquisas Ecológicas

Aqui alguns integrantes da equipe do IPÊ


Muito além das fotos (pesquisadores apoiados também pelo IPÊ  estão criando um inventário sobre mamíferos brasileiros através da camera trap)

Uma das pesquisas por camera trap  o Mico Leão Preto



O inventário está sendo conseguido através de armadilhas fotográficas em alguns dos pontos de sobrevivência da última ecologia da Mata Atlântica. As fotos capturadas por meio de câmeras escondidas na floresta muitas vezes rendem cenas interessantes como o aparecimento de um animal raro ou ainda o nascimento de uma espécie nunca antes registrado, situações que dificilmente seriam observadas com a presença de um ser humano ou um pesquisador ao vivo. Esta prática está se disseminando em todo o país, as armadilhas fotográficas têm sido usadas também como meio de comunicação usado por TVs e videomakers para documentar a vida selvagem que sobrevive no Brasil. Consideradas um grande avanço no monitoramento de mamíferos terrestres em ecossistemas ricos em biodiversidade, as armadilhas fotográficas (camera trap) surgiram para facilitar os estudos científicos em áreas florestais mais fechadas, ajudando pesquisadores na compreensão sobre o comportamento da fauna e no levantamento sobre a presença de espécies em determinadas áreas. Por essa razão, têm sido largamente utilizadas por vários projetos de pesquisa para conservação.

O processo captura  dia a dia da fauna na mata



Inspirados na capacidade das câmeras em revelar dados importantes para a ciência, um grupo de pesquisadores decidiu organizar as informações resultantes de 170 pesquisas com mamíferos terrestres de médio a grande porte. O resultado é o maior inventário de mamíferos terrestres da Mata Atlântica com base em camera trap. O estudo foi publicado nestes dias atrás por meio de um artigo na revista Ecology (Ecological Society of America), com a participação de 56 autores, entre eles, o pesquisador do IPÊ Fernando Lima, que liderou a realização deste levantamento: "Esse estudo é um compilado dos esforços de pesquisa de dezenas de profissionais que se dedicam à conservação desses mamíferos na Mata Atlântica. Não fazia sentido informações tão ricas e de tanta qualidade ficarem espalhadas. Em conjunto, elas podem representar informações mais robustas, que darão suporte a estratégias de conservação de diversas espécies", comentou Fernando Lima. O trabalho faz parte de uma grande iniciativa elaborada pelos pesquisadores Mauro Galetti (LABIC-Unesp) e Milton Ribeiro (LEEC-Unesp): se trata do Atlantic Datasets, uma iniciativa que visa sistematizar e disponibilizar grandes bancos de dados sobre a biodiversidade na Floresta Atlântica para que possam ser utilizados pela comunidade acadêmica, políticas públicas e esforços conservacionistas. Para o levantamento, foram utilizadas informações de armadilhas fotográficas espalhadas por 144 áreas, abrangendo seis tipos de vegetação de Mata Atlântica (Brasil e Argentina) e sobre a composição e riqueza das espécies. O conjunto de dados completo compreende 53.438 registros independentes de 83 espécies de mamíferos, e também inclui 10 espécies de marsupiais, 15 de roedores, 20 de carnívoros, 8 de ungulados e 6 de tatus. De acordo com o levantamento, apenas seis espécies ocorreram em mais de 50% das áreas: o cão doméstico (Canis familiar), o cachorro do mato (Cerdocyon thous), a irara (Eira barbara), o quati (Nasua nasua), o mão-pelada (Procyon cancrivorus) e o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus). A informação contida neste conjunto de dados pode ser usada para entender padrões macroeconômicos de biodiversidade, comunidade e estrutura populacional, mas também para avaliar as consequências ecológicas da fragmentação, desfiguração e interações tróficas, como explicam em resumo os pesquisadores, que assim conseguiram avançar os seus estudos graças ao sistema camera trap e o seu interesse maior pela natureza do Brasil. 


(Confira mais informações na seção de comentários deste nosso blog de ecologia) 
 


Camera trap em pesquisa sobre mamíferos

Cláudio e Suzana Pádua

A Anta Brasileira é foco de vários estudos atualmente

A Onça Pintada em imagem capturada por camera trap 

Um dos modelos de camera trap mais usados


Urutau by camera trap


Fontes: www.ipe.org.br
             www.folhaverdenews.com 


7 comentários:

  1. O Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas)nasceu de um sonho de Cláudio e Suzana Pádua, teve como primeiro projeto a conservação do mico-leão-preto: hoje esta entidade oferece até MBA e mestrado, além duma história de 20 anos na defesa da ecologia, da fauna, da flora, da natureza do Brasil.





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  2. Em 2012, o Ipê completava 20 anos de trabalho (hoje, já 25 anos) reconhecido na área ambiental. Mas sua história começa bem antes disso, no final da década de 80, quando Claudio Pádua e sua mulher e parceira Suzana, resolvem recomeçar. Ele, administrador de empresas, convenceu a mulher, designer, a se mudar para o Pontal do Paranapanema, que fica no extremo oeste de São Paulo, para que pudessem realizar pesquisas com o Mico-leão-preto, um dos primatas mais raros e ameaçados de extinção no mundo. Suzana enfrentou o medo e a insegurança e partiu para essa aventura que virou coisa séria. Em 1992, houve a fundação oficial e, hoje, a OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) conta com mais de 70 profissionais trabalhando em projetos espalhados por cinco regiões do Brasil.

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  3. “Claudio tinha 30 anos e estava infeliz. Ninguém levava a sério um administrador de empresas que queria trabalhar com conservação. Então, prestou vestibular para Biologia, cursou a faculdade e, depois, fez mestrado e doutorado nos Estados Unidos. Foi uma coragem muito grande. Achei que não fosse dar certo. Mas, quando nos mudamos para o Pontal do Paranapanema, para coletar dados sobre o Mico-leão-preto, comecei a trabalhar com educação ambiental e me apaixonei. Apesar de formada em comunicação visual, também fiz mestrado e doutorado nessa área e, quando vimos, os estagiários que atraímos também já tinham formação e especialização e continuavam trabalhando com a gente nos projetos”: comentário de Suzana Pádua, presidente do Ipê.

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  4. O projeto de conservação do Mico-leão-preto é até hoje uma das principais atividades do Ipê. Para mostrar a importância da espécie para os moradores da região, Suzana e sua equipe trabalham a conscientização de que o animal ajuda a manter viva outras espécies da Mata Atlântica e, dessa forma, as próprias pessoas. A imagem do Mico-leão-da-cara-preta, típico de Ariri, que fica ao sul de São Paulo, também está sendo resgatada pelo instituto através desse trabalho de educação ambiental: “A gente trabalha a autoestima das pessoas, mostrando que elas têm uma espécie que mais ninguém tem e que é preciso conservar o habitat para que ela não desapareça. Fazemos eventos, festivais de música e o Mico entra sempre como símbolo. Assim, a gente conseguiu diminuir o índice até de desmatamento e devolver o orgulho às pessoas locais”: comentário também de Suzana Pádua, designer e ecologista.

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  5. Fora de São Paulo, o Ipê realiza outros trabalhos importantes de educação ambiental. Um deles é na Amazônia, na região do baixo Rio Negro. Lá, as comunidades ribeirinhas estão aprendendo a tirar benefícios da floresta sem prejudicá-la. Projetos, encontros com outras comunidades mais bem-sucedidas são iniciativas que o Instituto de Pesquisas Ecológicas promovem: no Pantanal, há uma iniciativa de uma pesquisadora, Patricia Medici, que estuda Antas e também faz trabalhos nas fazendas que são abertas à visitação turística. Ela mostra a importância da Anta, que está em quase todos os biomas e também sofre ameaça. Ela está em uma das fotos que ilustram este post hoje do blog da ecologia.

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  6. Logo mais, mais comentários ou mensagens, participe e coloque aqui sua opinião ou envie uma mensagem para a redação do nosso blog de ecologia pelo e-mail navepad@netsite.com.br eóu então mande material como fotos ou videos pro nosso editor de conteúdo deste blog através do e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  7. "Importante d+ popularizar trabalhos de alcance ecológico como estes do IPÊ, a grande mídia deveria fazer matérias": comentário de Isabel Fernandes, estudante de Biologia pela Unesp.

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