quinta-feira, 2 de novembro de 2017

60% DOS ALIMENTOS COM RESÍDUOS E 36% CONTENDO AGROTÓXICOS JÁ PROIBIDOS NO BRASIL: ESTA OVERDOSE PODERÁ ESTIMULAR A AGROECOLOGIA E FAZER AUMENTAR A ALIMENTAÇÃO ORGÂNICA?


Pesquisa do Greenpeace feita pelo Instituto Biológico em São Paulo e Brasília constata resíduos de agrotóxicos em 60% dos alimentos consumidos pela população: confira também o ranking dos alimentos que podem estar mais contaminados, lista sendo divulgada pela Anvisa aqui agora


O perigo dos agrotóxicos chega até seu prato de comida



Risco à saúde e ao ambiente deveria estimular alimentos orgânicos e a agroecoloia


É fundamental você ter a informação sobre quais produtos têm uma maior taxa de agentes químicos que possam prejudicar a qualidade da sua alimentação e a sua saúde: duma forma geral, médicos e nutricionistas recomendam que prezar por uma alimentação rica em verduras, frutas e legumes é um dos principais hábitos para uma vida mais saudável. No entanto, essa prática que faz tão bem para o corpo pode resultar em danos para o organismo. Levando em conta este fato, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma lista com os alimentos com maiores níveis de contaminação por agrotóxicos no Brasil. O ranking conta com alimentos extremamente nutritivos e que colaboram para o bom funcionamento do corpo, só que agentes tóxicos podem causar diversos tipos de reações, atingindo inclusive os órgãos vitais da pessoa, do consumidor.

Na lista da Anvisa o pimentão aparece em primeiro lugar




Nova pesquisa - Testes toxicológicos realizados pelo Laboratório de Resíduos de Pesticidas (LRP) do Instituto Biológico de São Paulo, a pedido da organização não governamental Greenpeace, mostraram que 60% dos alimentos que a população de São Paulo e Brasília come diariamente contém resíduos de agrotóxicos. Em 36% das amostras, havia ainda alguma irregularidade, como presença de agrotóxicos banidos do país e de quantidade acima do limite máximo de resíduos permitido no Brasil.

 A seguir a listagem completa dos alimentos mais contaminados
Segundo a Anvisa, foram analisadas quase 2.500 amostras de 18 tipos de alimentos pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos. E o resultado surpreende negativamente: cerca de um terço dos vegetais mais consumidos no Brasil apresentaram um nível de agrotóxico acima do aceitável. Foram considerados os seguintes critérios: análise da presença de agrotóxicos acima do nível permitido e a presença de agrotóxicos não autorizados para o tipo de alimento. Entre todos os vegetais analisados, a batata foi o único que passou ileso, sem apresentar contaminação. Já o pimentão alcançou o primeiro lugar no ranking entre os que mais apresentaram overdose de agrotóxicos, sendo que 91,8% das amostras analisadas estavam com níveis acima do aceitável. Cerca de 1/3 dos vegetais e frutas apresentam taxas acima dos níveis aceitáveis de toxinas. O morango, o pepino e a alface apresentaram irregularidades com taxa acima dos 50% nos lotes examinados.



Aqui o infográfico dos 9 alimentos mais perigosos

 




Há como evitar produtos envenenados e/ou como diminuir o risco?

 



A melhor forma para se garantir produtos de qualidade mais natural e livres de contaminação é optar pelo consumo de produtos orgânicos, que são alimentos produzidos com métodos que não utilizam agrotóxicos sintéticos, transgênicos ou fertilizantes químicos. Com isso, sua qualidade é mantida e seus nutrientes preservados. Uma medida que pode atenuar o problema é limpar adequadamente os alimentos, por exemplo, deixar de molho com água e limão algumas frutas, além de lavá-las com água e sabão, para então poder comer inclusive com suas cascas, como maçãs ou uvas. Mas algunas especialistas negam que esta providência seja eficaz. Deixar vegetais por exemplo de molho no vinagre ou no limão antes de levá-los à mesa pode ser ótimo para matar micróbios, mas nem sempre vai funcionar quando se quer tirar agrotóxicos de frutas e verduras, relataram especialistas, preocupados com resíduos tóxicos segundo a lista da Anvisa: de 3.130 amostras coletadas pela agência, mais de 29% apresentaram algum tipo de irregularidade.

 
Aumentam os riscos mas também a consciência da população

 

Na opinião de Anthony Wong, diretor médico do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica) da Faculdade de Medicina da USP se a aplicação do agrotóxico é mais na superfície, na parte externa do alimento, pode ser, estas medidas eliminam o maior risco, é o caso de se limpar assim tomates ou morangos mas a dificuldade é maior quando a substância tóxica penetra mais no produtos, aí, só a fervura pode eliminar o risco, desde que não tenham sido aplicados agrotóxicos à base de zinco ou estanho, aí nem lavando nem fervendo se reduz o perigo da contaminação". Por sua vez, o médico Wanderlei Pignati, professor de Saúde Ambiental na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), é mais cético em relação a isso: "Lavar os alimentos não resolve praticamente nada. Vai eliminar o agrotóxico que tem na casca, mas o grande problema está dentro". Pignati aponta também outra dificuldade: estatísticas não mostra as doenças relacionadas a agrotóxicos porque é difícil fazer exames para identificar substâncias tóxicas no organismo. "Aqui em Mato Grosso, para exemplicar o que é comum em todo o interior, se eu quiser fazer uma análise de suspeita de resíduos de agrotóxicos no sangue ou na urina do consumidor, tenho que mandar a amostra para o Rio de Janeiro ou São Paulo". Uma melhor estrutura laboratorial pode ajudar, também o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) luta por medidas mais radicais no setor, como uma urgente reavaliação toxicológica das substâncias pela Anvisa, há agrotóxicos com uso livre no Brasil que já estão proibidos em outros países, onde há um melhor controle da qualidade dos alimentos. 

 
Livre uso no Brasil de agrotóxicos já proibidos em outros países

 

Uma voz dissidente é a do médico Angelo Trapé, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ele discorda da opinião da maioria dos médicos e nutricionistas. Segundo Trapé avalia, as irregularidades encontradas pela Anvisa não mostram que haja perigo ao consumidor, a quantidade de agrotóxicos nos alimentos é perigosa mas ainda não é tão intensa.Porém ele, assim como a maior parte dos especialistas, querem uma melhor realidade no setor (para evitar a overdose e a contaminação), uma reavaliação da toxicidade dos agentes ou aditivos químicos, um controle mais rigoroso cobre os tipos de agrotóxico sendo usados e em especial, a recomendação de todos: a opção hoje mais segura é escolher alimentos orgânicos, que são produzidos de forma mais limpa e natural. 

 
Só alimentos orgânicos podem garantir alimentação mais saudável

 


(Confira na nossa seção de comentários a posição dos fabricantes de agrotóxicos e outras informações importantes nesta pauta em debate hoje em nosso blog)

 

Urgente controlar a overdose de agrotóxicos e os tipos mais agressivos

 


Fontes: www.vivomaissaudavel.com.br


             G1 - Uol - EFE - Anvisa - Greenpeace


             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. O pior da notícia hoje é que 36% dos alimentos contém agrotóxicos proibidos e acima do limite. Esta é uma luta vital para o movimento ecológico, científico e de cidadania: num país ruralista, colocar a saúde e a ecologia acima dos lucros e dos riscos...



    ResponderExcluir
  2. "O problema seria resolvido se os agrotóxicos fossem utilizados da maneira correta. Se fossem usados dentro dos padrões permitidos, não teria tanta dificuldade nem tantos desafios": comentário do engenheiro de alimentos Carlos Eduardo Sassano, professor da Universidade de Guarulhos, São Paulo.



    ResponderExcluir
  3. "Um maior consumo de alimentos orgânicos poderia ser uma boa alternativa, mas aí op desafio é o preço além duma produção insuficiente. Hoje em dia a produtividade tem que ser alta. Por isso muitos defendem a agricultura com agrotóxico, porém, bastaria o país investir forte nos orgânicos, que então seriam mais econômicos, além também do alimento ser mais ecológico": comentário da nutricionista pela Unesp, Eliana Mattos, que atua no Rio de Janeiro.




    ResponderExcluir
  4. "As irregularidades encontradas pela Anvisa não mostram que haja perigo ao consumidor, pois a quantidade de agrotóxicos nos alimentos é ainda pequena. A população pode ingerir alimentos de maneira segura que não vai causar nenhum dano à sua saúde": comentário do médico Angelo Trapé, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),uma voz discordante da maioria dos especialistas.


    ResponderExcluir
  5. Os fabricantes de defensivos agrícolas, por meio da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), argumentam que os produtores rurais estão cada vez mais preocupados em aplicar corretamente os agrotóxicos, escolhendo os que não são proibidos:
    "A Andef considera fundamental tranqüilizar a população quanto à segurança dos alimentos tratados com defensivos aplicados de acordo com as recomendações agronômicas e oficialmente registrados", afirmou a instituição em nota divulgada à imprensa, depois da lista da Anvisa.

    ResponderExcluir
  6. "Só há dois caminhos, a agroecologia e um avanço científico na produção agrária, os alimentos orgânicos são uma boa alternativa ecológica mas precisam se adequar à realidade econômica da maioria dos consumidores brasileiros": comentário de Gilson Moreira Santos, que pesquisou sobre este assunto em sites de entidades europeias de defesa do consumidor. Ele é engenheiro agrônomo e pratica a agroecologia em sítio da sua família em Sacramento (MG).


    ResponderExcluir
  7. "Pude conferir um programa do Globo Repórter sobre este temas, em resumo, a informação era de que agrotóxicos podem causar doenças como depressão, câncer e infertilidade": comentário de Ary Moreira Salles, de Belo Horizonte, horticultor.


    ResponderExcluir
  8. "O epidemiologista Sérgio Koifman, da Fiocruz, que se dedica a estudar os efeitos dos pesticidas, substâncias das mais agressivas, diz que elas têm o efeito bastante diversificado nas populações rurais que estão expostas tanto diretamente, como nos consumidores em geral, que entram em contato com eles através dos alimentos. O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos. Mas, na hora de fazer compras, passa pela cabeça das pessoas que frutas legumes e verduras podem fazer algum mal para saúde?": comentário da jornalista Mônica Teixeira, do Rio de Janeiro.


    ResponderExcluir
  9. "Testes toxicológicos realizados pelo Laboratório de Resíduos de Pesticidas (LRP) do Instituto Biológico de São Paulo, a pedido da organização não governamental Greenpeace, mostraram que 60% dos alimentos que a população de São Paulo e Brasília come diariamente contém resíduos de agrotóxicos. Em 36% das amostras, havia ainda alguma irregularidade, como presença de agrotóxicos banidos do país e de quantidade acima do limite máximo de resíduos permitido no Brasil": comentário no site Terra e na BBC sobre este tema enfocado hoje aqui também em nosso blog.

    ResponderExcluir

Translation

translation