sexta-feira, 10 de novembro de 2017

SILENCIOSAMENTE E SEM RESPEITAR O LADO SOCIOAMBIENTAL GOVERNO E EMPRESAS SE PREPARAM PARA EXPLORAR URÂNIO PROJETO ANTIGO NA REGIÃO CENTRAL DO CEARÁ (ANTIGO E NÃO SUSTENTÁVEL)



  Um movimento popular na região das jazidas com apoio de alguns cientistas e ecologistas está alertando que o Consórcio Santa Quitéria já está iniciando preparativos para a mineração a céu aberto. Críticos citam o desastre de Mariana em Minas Gerais que poderá se repetir lá na região central cearense, onde não se respeita o impacto socioambiental e apenas os interesses do agronegócio e de indústria energética nuclear do exterior: os resíduos radioativos quebrarão totalmente o equilíbrio ecológico do interior do Ceará 
    







Exploração de urânio poderá causar tragédia socioambiental no sertão do Ceará




Através de informações que a gente aqui do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News captou na EcoAgência, está desenhado um conflito nada sustentável entre interesses econômicos e ecológicos (envolvendo também a saúde da população) em pleno sertão central do Ceará, na região dos municípios de Santa Quitéria e Itatira onde ainda na década de 1970 (durante o governo ditatorial) já se falava que a indústria nuclear iria explorar a Jazida de Itataia. Agora, este fantasma está bem perto de virar realidade junto à Serra do Machado e a Serra do Céu, apreciáveis cadeias montanhosas, uma vez que a jazida contém um total de 65,6 milhões de toneladas de colofanito (urânio e fosfato associados), sendo potencialmente a maior mina de urânio do Brasil. Desde os anos 2000 o Consórcio Santa Quitéria iniciou o processo de licenciamento para exploração e beneficiamento da mina com lavra a céu aberto. Esse, por sua vez, é formado pelas Indústrias Nucleares do Brasil – INB e a Galvani Indústria, Comércio e Serviços S.A sob o controle da mineradora norueguesa Yara. E como ficam os interesses ambientais do ceará e do Brasil, bem como a defesa da saúde da população cearense? Essa é a questão. 






Ceará, mapa do urânio para indústria nuclear e agronegócios


O empreendimento pretende produzir por ano 1.050.000 (um milhão e cinqüenta mil) toneladas de derivados fosfatados para produção de fertilizantes e ração animal, bem como 1.600 (mil e seiscentas) toneladas de concentrado de urânio, para fins de abastecimento do agronegócio e da indústria energética nuclear, tendo como lugar de escoamento da produção por via terrestre, o Porto do Mucuripe, localizado em Fortaleza, que dista uma média de 220 km de Santa Quitéria. O tempo de operação do Consórcio é de 20 anos, a partir de um complexo industrial de mineração composto por uma pilha de fosfogesso, uma pilha de estéril e uma barragem de rejeitos. Esses três depósitos de resíduos radioativos deverão permanecer no território sertanejo por até 80 mil anos, após o encerramento das atividades da mineradora.




Ao invés de mineração precária por que não desenvolvimento sustentável?





"O Sertão Central, também conhecido por sertões de Canindé, é um lugar cuja luta camponesa contra os latifúndios foi regra e hoje conta com uma média de 46 assentamentos estaduais e federais. As mulheres sempre estiveram participação ativa nesse processo de ocupação da terra e garantia da efetivação da política de reforma agrária. Assim como são as principais responsáveis pela produção e reprodução do modo de vida camponês, bem como ocupam lugar importante no enfrentamento á mineração em todo país. As histórias de migração em busca de melhores condições de sobrevivência aproximam essas mulheres que, desde a infância, trabalharam para latifundiários em regimes de quase semi-escravidão. Portanto, a conquista da terra e do território tem valores que não são quantificáveis, porque significam antes de qualquer coisa, a relativa libertação do “cativeiro da terra”, do latifúndio, da herança colonial com suas estruturas patriarcais e racistas": comenta nota oficial do MAM, movimento popular regional que lembra também a soberania nacional na mineração. O movimento tem o apoio da entidade Articulação Não Nuclear e tenta uma solução junto ao Ministério Público Federal. 


Jazida de Itataia: luta da população com apoio de pesquisadores e ecologistas






 Empreendimento vai consumir muita água numa região assolada pela seca



A ameaça maior hoje é a mineração de urânio e fosfato. O Estudo de Impacto Ambiental – EIA e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (RIMA) do consórcio apresenta insuficiências técnicas e graves erros conforme representação pública entregue há mais de 2 anos ao Ministério Público Federal por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará. Dentre estas, destacam a ausência de estudos sobre a viabilidade hídrica do empreendimento, sendo essa também aliada á saúde, uma das principais preocupações das mulheres da Agrovila Mata Fresca, Assentamento Juá, em Santa Quitéria. Essas camponesas vivem na parede do Açude Edson Queiroz, cotado para abastecer o complexo, com um detalhe: atualmente, o açude está com apenas 16% da sua capacidade hídrica. No sertão cearense nesta década o índice pluviométrico vem sendo abaixo da média e da necessidade, em meioa falta de chuvas e a um agravamento da seca, como pode o Ibama e o Governo Federal autorizar um empreendimento que vai demandar a utilização de 1 milhão a 100 mil litros de água por hora? Esta é uma outra questão urgente.


Exploração de urânio é mineração precária e perigosa



(Confira na seção de comentários aqui no blog da gente mais informações)


Tem havido manifestações e alertas pelo movimento não nuclear



Fontes: www.ecoagenciacom.br
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. "Um megaprojeto como esse no semiárido cearense
    onde o índice pluviométrico há seis anos se acha abaixo da média. Como é possível o país autorizar um empreendimento que demandará a utilização de 1 milhão a 100 mil litros de água por hora na seca do Ceará?": comentário de Humberto Vieira, que informa ter acompanhado em Campinas (na Unicamp) palestra a esse respeito feita por pesquisadores e ecologistas da Articulação Não Nuclear.

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  2. "É em razão da questão hidrica, dos muitos outros riscos intrínsecos a essa atividade de mineração que dizemos: “NÃO QUEREMOS PARA O FUTURO DO CEARÁ, O PRESENTE DE MARIANA”. É pela garantia da produção e modo de vida camponês, pela importância do sertão para a sociedade cearense que as mulheres camponesas, o Movimento Nacional Pela Soberania Popular na Mineração – MAM e a Articulação Anti Nuclear se juntam por justiça socioambiental e clamam ao IBAMA, ao Estado brasileiro, pela não liberação da licença para mineração de urânio e fosfato no Ceará": nota oficial do movimento publicada na EcoAgência.



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  3. "Creio que é oportuno relacionar este empreendimento inoportuno e insustentável com a liderança de Tasso jereissatti, cearense, o senador mais rico do atual Senado, segundo dados do TSE e possível presidente nacional do PSDB, acredito que ele está por trás deste projeto": comentário de Marcos Vilela, advogado, que atua em cidades satélites e em Brasília (DF).


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  6. "As ocorrências de mineração de urânio de que tenho notícia são sempre de projetos que não têm hoje a essencial ligação entre o interesse econômico e a ecologia ou também a saúde da população": comentário de Ad Neves, de Salvador (Bahia).


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  7. Vamos postar aqui no blog um video que resume bem a situação, feito pela Rede Brasileira de Justiça Ambiental RBJA e que há mais de 3 anos vem lutando nesta questão, tendo como uma das coordenadoras
    Raquel Rigotto do Núcleo Tramas - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde da Faculdade de Medicina da Federal do Ceará.


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  8. "Oi, estou enviando outra mensagem, ontem falei que o Tasso Jereissatti é lá do Ceará e presidente do PSDB, hoje, soube aqui que mudou, o Alberto Goldman que está presidindo este partido. De toda maneira, Jereissat deve estar por trás do consórcio para mineração na Jazida de Itataia, realmente, ecoturismo é melhor do que captar urânio a essa altura das coisas": comentário de Marcos Vilela, advogado, Brasília (DF).

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  9. "Importantíssima esta matéria, pena que a grande mídia não tem a mesma liberdade que vocês para criticar algo tão errado assim": comentário de Luiza Aguiar, de Campinas (SP), formada em Biologia pela Unicamp.

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